Arquivo da categoria: Artigos

Artigos dos mais diversos autores e assuntos para informar e despertar a visão missionária.

Audiência entre representantes do DAI-AMTB e a Vice-Procuradora Geral da República

No último dia 17/5 estivemos presentes na Procuradoria Geral da República para uma audiência com a Dra Debora Duprat, articulada pelo Dep João Campos, presidente da Frente Parlamentar Evangélica. Estavamos um tanto apreensivos porém pedindo ao Senhor que, por sua graça, nos abençoasse com a promessa de Lucas 12:11 – “Quando, pois, vos levarem às sinagogas, aos magistrados e às autoridades, não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer. Porque o Espírito Santo vos ensinará na mesma hora o que deveis dizer”.
O Deputado introduziu muito bem a conversa, ressaltando a necessidade de um diálogo maior com as missões indígenas e os evangélicos de modo geral, e logo nos passou a palavra. O Pr Rocindes Correa (diretor do DAI-AMTB) fez uma ótima apresentação da AMTB, seus propósitos, sua representatividade, e nosso desejo de aproximação com o Ministério Público para o diálogo. Em seguida expusemos algumas preocupações nossas em relação a posturas assumidas por opositores ao trabalho missionário, inclusive nos órgãos governamentais, utilizando argumentos falaciosos e, muitas vezes, falsas acusações.
A Dra Debora mostrou-se bastante solicita, respeitosa, deu-nos todo o tempo necessário, inclusive excedendo em cerca de 15 minutos o tempo previsto para a audiência. Esclareceu que suas perspectivas são comumente baseadas em informações que chegam a ela por terceiros, e mostrou-se bastante surpresa em alguns momentos ao ser informada de fatos os quais desconhecia, como por exemplo, o arquivamento de acusações feitas no passado a uma agência missionária representada pelo DAI-AMTB, tanto pelo Ministério Publico como pela Polícia Federal, por absoluta falta de provas.
Sublinhamos o cuidado necessário com a precisão na tradução quando utilizado interprete para conversas com indígenas monolíngues, observando ser essa uma costumeira fonte de malentendidos e informações imprecisas.

Expôs também algumas convicções animadoras, como o reconhecimento do caráter dinâmico das culturas, o apoio à permanência de missionários onde estes já estão integrados à vida do povo e exercem uma contribuição positiva, sempre levando em conta a decisão dos indígenas como fator preponderante.
Ressaltou que entre os procuradores há pessoas radicalmente contra nossa presença em área e não estao dispostos a reverem isso, configrando uma realidade de oposição que bem conhecemos.
Em suma, estamos bastante animados com a experiência, crendo que abriu-se uma porta preciosa que devemos nos esforçar para manter, e especialmente gratos a Deus pela oportunidade e por seu direcionamento.
Vamos em frente! Pedimos que continuem intercendendo e estejam totalmente à vontade para entrarem em contato e pedirem-nos informações através do indigena@amtb.org.br

Juntos, pelo Reino,

Cassiano Luz

Pela coordenação do DAI-AMTB
fonte: http://www.indigena.org.br/v1/

50 dias de oração pela igreja perseguida

Para fazer o download do caderno da Portas Abertas de oração, acesse: http://www.domingodaigrejaperseguida.org.br/downloads-dip/CampanhaDeOracao_PortasAbertas.pdf

O mundo acompanhou no inicio de 2011 vários conflitos que levaram presidentes de nações como a Tunísia e o Egito a deixarem os cargos que ocupavam há décadas. Países como Iêmen, Jordânia, Líbia e outros do Oriente Médio também enfrentaram protestos contra seus governantes, o que obrigou alguns deles a mudar cargos e gabinetes.
Nessas nações existem milhares de cristãos que, além de enfrentar problemas sociais como a miséria, enfrentam questões muito mais complicadas pelo simples fato de serem cristãos. A sociedade, o governo e os familiares os perseguem e rejeitam sua opção religiosa, principalmente quando eles deixam o islamismo para se tornarem cristãos. Em alguns países, essa escolha é considerada crime passível de morte. Mesmo assim, muitos estão se convertendo e experimentando uma vida com Cristo.
Para que esses nossos irmãos não desanimem, eles precisam de nossa intercessão. Dessa forma, a campanha de oração após o DIP será voltada especificamente aos países do Oriente Médio que vêm enfrentando dificuldades. Precisamos orar para que as mudanças favoreçam a liberdade religiosa, pois dependendo de quem governar países como o Egito, as minorias podem ter seus já limitados direitos completamente violados. Vamos nos unir em oração nesse momento importante para a História da humanidade e para o Corpo de Cristo.

Mais informações: http://www.domingodaigrejaperseguida.org.br/

CRISTÃOS E MUÇULMANOS: UMA LONGA HISTÓRIA DE CONFLITOS

Alderi Souza de Matos

Introdução

Estamos acostumados a ouvir notícias sobre o relacionamento hostil entre palestinos e judeus em Israel. Vez por outra, também tomamos conhecimento de violentos choques entre muçulmanos e adeptos do hinduísmo e de outras religiões na Índia e em outros países asiáticos. Todavia, mais antigo e mais pleno de conseqüências para o mundo tem sido o relacionamento tenso – por vezes abertamente belicoso – entre cristãos e muçulmanos há quase 1400 anos. Os atentados terroristas nos Estados Unidos e outros países, as ações militares norte-americanas no Afeganistão e posteriormente no Iraque, e as iradas manifestações de muçulmanos em muitos países constituem mais um capítulo dessa longa história de conflitos.

1. O advento do islamismo

O Islamismo ou Islã foi fundado pelo mercador árabe Maomé (Muhammad, c.570-632) no início do século sétimo da era cristã. Essa que é a mais recente das grandes religiões mundiais sofreu influências tanto do judaísmo quanto do cristianismo, mas ao mesmo tempo opôs-se firmemente a ambos, alegando ser a revelação final de Deus (Alá). O livro sagrado do islamismo, o Corão (Qur`an), teria sido revelado pelo próprio Deus a Maomé, o último e maior dos profetas. A idéia básica do islamismo está contida no seu nome – islã significa “submissão” plena à vontade de Alá e “muçulmano” é aquele que se submete. Os preceitos centrais dessa religião incluem a recitação diária de uma confissão (“Não existe Deus senão Alá e Maomé é o seu profeta”), bem como a prática da caridade e do jejum, sendo este último especialmente importante durante o dia no mês sagrado de Ramadã. O culto é regulado de maneira estrita. Os fiéis devem orar cinco vezes ao dia, de preferência em uma mesquita ou então sobre um tapete, sempre voltados para Meca, a cidade sagrada do islã, na Arábia Saudita. Nas sextas-feiras, realizam-se cerimônias especiais. A peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida também é uma prática altamente valorizada.
Desde o início o islamismo foi uma religião aguerrida e militante, marcada por intenso fervor missionário. Um conceito importante é o de jihad, ou seja, o esforço em prol da expansão do islã por todo o mundo. Esse esforço muitas vezes adquiriu a conotação de guerra santa, como aconteceu de maneira especial no primeiro século após a morte de Maomé, em 632. Movidos por um profundo zelo pela nova fé, os exércitos muçulmanos conquistaram sucessivamente a península da Arábia, a Síria, a Palestina, o Império Persa, o Egito e todo o norte da África. Nesse processo, o cristianismo foi enfraquecido ou aniquilado em muitas regiões nas quais havia sido extremamente próspero nos primeiros séculos. Lugares como Antioquia, Jerusalém, Alexandria e Cartago, onde viveram os Pais da Igreja Orígenes, Cipriano, Tertuliano e Agostinho, foram permanentemente perdidos pelos cristãos. Em 674, os muçulmanos lançaram os seus primeiros ataques contra Constantinopla, a grande capital cristã do Império Bizantino.
No ano 711, os mouros atravessaram o estreito de Gibraltar sob o comando de Tarik (daí Gibraltar, isto é, “a rocha de Tarik”) e invadiram a Península Ibérica, ocupando a maior parte do território espanhol. Em seguida, atravessaram os Pirineus e penetraram na França, mas foram finalmente derrotados por um exército cristão comandado por Carlos Martelo, o avô de Carlos Magno, na batalha de Tours, em Poitiers, no ano 732. É verdade que, tanto no Oriente Médio e no norte da África quanto na Península Ibérica, os sarracenos foram relativamente tolerantes com os cristãos e os judeus. Estes geralmente não eram forçados a se converterem ao islamismo, mas tinham de pagar um imposto caso não o fizessem. Em todas essas regiões, muitos acabaram aderindo à nova religião. Em diversas áreas que conquistaram, os seguidores de Maomé criaram grandes centros de civilização, como foi o caso de Bagdá, do Cairo e da Espanha. O Califado de Córdova foi marcado por notável prosperidade, destacando-se pela sua belíssima arquitetura, seus elaborados arabescos, seus avanços nas ciências, literatura e filosofia.

2. As Cruzadas

O avanço islâmico teve profundas repercussões para o cristianismo. Como vimos, a Igreja Oriental ou Bizantina foi seriamente enfraquecida, tendo perdido algumas de suas regiões mais prósperas. A Igreja ocidental ou romana voltou-se mais para o norte da Europa. Com isso, o cristianismo tornou-se mais europeu e menos asiático ou africano. Também foi acelerado o processo de separação entre as Igrejas grega e latina. Outro problema para os cristãos foi a mudança da sua postura com relação à guerra e ao uso da força. Desde o início, os cristãos tinham aprendido de Cristo e dos apóstolos a prática do amor e da tolerância no relacionamento com o próximo. Agora, num mundo cada vez mais hostil à sua fé, eles acabaram abandonando muitos de seus antigos valores e passaram a elaborar toda uma série de justificativas filosóficas e teológicas para legitimar a violência em certas situações. Esse processo havia se iniciado com a aproximação entre a Igreja e o Estado a partir do imperador Constantino, no quarto século, tendo se intensificado nos séculos seguintes. Num primeiro momento, legitimou-se o uso da força contra grupos cristãos dissidentes ou heréticos, como os arianos e os donatistas. Séculos mais tarde, os cristãos haveriam de articular a sua própria versão de guerra santa, dirigindo-a principalmente contra os muçulmanos.
A maior, mais prolongada e mais sangrenta confrontação entre cristãos e islamitas foram as famosas Cruzadas, que se estenderam por quase duzentos anos (1096-1291). Antes disso, a cristandade já havia começado a lutar contra os muçulmanos na Espanha, no que ficou conhecido como a Reconquista, intensificada a partir de 1002 com a extinção do Califado de Córdova. Desenvolveu-se, assim, a partir da Península Ibérica, uma forma de catolicismo agressivo e militante, que haveria de estender-se para outras partes do continente. As cruzadas foram um fenômeno complexo cuja causa inicial foi a impossibilidade de acesso dos peregrinos cristãos aos lugares sagrados do cristianismo na Palestina. Por vários séculos, os árabes haviam permitido, salvo em breves intervalos, as peregrinações cristãs a Jerusalém, e estas haviam crescido continuamente. Todavia, a situação mudou quando os turcos seljúcidas, a partir de 1071, conquistaram boa parte da Ásia Menor e em 1079 a cidade de Jerusalém, fazendo cessar as peregrinações. Com isso surgiu na Europa um clamor pela libertação da Terra Santa das mãos dos “infiéis”.
A primeira cruzada foi pregada pelo papa Urbano II, em Clermont, na França, em 1095, sob o lema “Deus vult” (Deus o quer). Depois de uma horrível carnificina contra os habitantes muçulmanos, judeus e cristãos de Jerusalém, os cruzados implantaram naquela cidade e região um reino cristão que não chegou a durar um século (1099-1187). A quarta cruzada foi particularmente desastrosa em seus efeitos, porque se voltou contra a grande e antiga cidade cristã de Constantinopla, que foi brutalmente saqueada em 1204. A oitava cruzada encerrou essa série de campanhas militares que trouxe alguns benefícios, como o maior intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente e a introdução de inventos e novas idéias na Europa, mas teve efeitos adversos ainda mais profundos, aumentando o fosso entre as Igrejas latina e grega e gerando enorme ressentimento dos muçulmanos contra o Ocidente cristão, ressentimento esse que persiste até os nossos dias.

3. A Reconquista

É verdade que alguns cristãos daquele período tiveram uma atitude mais construtiva em relação aos islamitas, procurando ir ao seu encontro com o evangelho e não com a espada. Tal foi o caso de alguns dos primeiros membros das novas ordens religiosas surgidas no início do século XIII, os franciscanos e os dominicanos. O mais célebre missionário aos muçulmanos foi o franciscano Raimundo Lull (c.1232-1315), de Palma de Majorca, que fez diversas viagens a Túnis e à Argélia. Todavia, o espírito predominante do período foi o de beligerância não só contra os muçulmanos, mas mesmo contra grupos cristãos dissidentes, como foi o caso dos cátaros ou albigenses, no sul da França, aniquilados por uma cruzada entre 1209 e 1229. Também data dessa época o estabelecimento da temida Inquisição. Na Espanha, a Reconquista tomou ímpeto no século XIII e a partir de 1248 os mouros somente controlaram o Reino de Granada. Nos séculos XII e XIII, nesse contexto de luta contra os mouros, houve o surgimento de Portugal como um reino independente.
O Reino de Granada foi finalmente conquistado pelos reis católicos Fernando e Isabel em 1492, o mesmo ano do descobrimento da América. Após um período inicial de tolerância, foi lançada contra os mouros uma campanha de terror visando forçar a sua conversão e finalmente, em 1502, todos os muçulmanos acima de catorze anos que não aceitaram o batismo foram expulsos, assim como havia acontecido com os judeus dez anos antes. Sob a liderança de Tomás de Torquemada, a Inquisição espanhola, organizada em 1478, voltou-se de maneira especial contra os mouriscos e os marranos (muçulmanos e judeus convertidos ao cristianismo) acusados de conversão insincera.
Ao mesmo tempo em que o islamismo sofria essas pesadas perdas na Península Ibérica, obtinha estrondosos sucessos no Oriente Médio e na Europa oriental. Um novo poder islâmico, os turcos otomanos vindos da Ásia Central, depois de se estabelecerem firmemente na Ásia Menor, invadiram em 1354 a parte européia do Império Bizantino, gradualmente estendendo o seu domínio sobre os Bálcãs, em regiões que estiveram há alguns anos nos noticiários (Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Albânia). Em 1453, eles tomaram Constantinopla (hoje Istambul), selando o fim do antigo Império Romano Oriental e impondo novas e pesadas perdas à Igreja Ortodoxa. Nos séculos XVI e XVII, os exércitos turcos haveriam de cercar por duas vezes Viena, a capital da Áustria (1529 e 1683).

4. Os dois últimos séculos

Um período especialmente humilhante para os muçulmanos diante do Ocidente cristão foi o colonialismo dos séculos XIX e XX, em que virtualmente todas as regiões islâmicas do Oriente Médio e do norte da África ficaram sob o domínio de países europeus como a França, a Inglaterra, a Itália e a Espanha. Até o início do século XIX, aquelas regiões tinham sido parte do vasto Império Otomano, com sua capital em Istambul. Com o colonialismo chegaram os missionários, tanto católicos como protestantes, com suas igrejas, escolas e hospitais. Após a Primeira Guerra Mundial, à medida que as novas nações árabes foram alcançando a sua independência, houve o crescimento do sentimento nacionalista e a reafirmação dos valores islâmicos. Ao mesmo tempo, o islamismo há muito havia ultrapassado os limites do mundo árabe, tendo alcançado, além dos persas e dos turcos, muitos outros povos na África e na Ásia, chegando até a Indonésia, hoje a maior de todas as nações muçulmanas, com mais de 100 milhões de habitantes. Em muitas dessas nações, árabes ou não, a presença de populações cristãs tem produzido graves conflitos entre os dois grupos, como tem ocorrido muitas vezes na Indonésia. Um acontecimento pouco divulgado foi o pavoroso genocídio promovido pelos turcos contra os armênios cristãos no início do século XX.
Outro evento que acabou por gerar nova animosidade entre os países muçulmanos e o Ocidente cristão foi a criação do Estado de Israel, em 1948, e a percepção de que o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, apóia incondicionalmente o Estado Judeu em sua luta contra os palestinos e outros povos árabes. Dois novos ingredientes nessa luta foram o súbito enriquecimento de algumas nações árabes com a exploração do petróleo e o surgimento do fundamentalismo militante entre os xiitas, uma antiga facção islâmica minoritária ao lado da maioria sunita. A militância islâmica tem gerado várias revoluções e o surgimento de regimes islâmicos, como aconteceu há alguns anos no Irã. Além do apoio dos Estados Unidos a Israel, os fundamentalistas se ressentem da presença de tropas americanas na Arábia Saudita, o berço do islã, e da influência cultural do Ocidente nos seus respectivos países, vista como danosa para a sua fé e seus valores tradicionais.

Neste início do século 21, o islamismo representa o maior desafio para o cristianismo, em diversos sentidos. A invasão do Iraque e a enorme violência fratricida dela resultante têm sido muito negativas para a imagem do cristianismo junto aos muçulmanos. Ao contrário do que foi propalado no início da ocupação, as ações do presidente George W. Bush com o respaldo de muitos cristãos americanos não têm sido benéficas para a causa do evangelho no mundo islâmico. A situação dos cristãos que vivem em países muçulmanos também se agravou muito nos últimos anos. Como um dos “povos do livro” (expressão aplicada aos judeus e cristãos, visto serem mencionados no Corão), os cristãos precisam reconhecer os muitos erros cometidos contra os muçulmanos ao longo da história e renovar a sua determinação de contribuir para o bem-estar político, social e espiritual dos herdeiros de Maomé.

Perguntas para reflexão:
Existe hoje, no Ocidente, uma atitude de crescente simpatia pelo islamismo, seus valores e sua cultura. Como os cristãos devem posicionar-se a esse respeito?
Para um grande número de ocidentais, o interesse de muitos cristãos pela evangelização do mundo islâmico é algo “politicamente incorreto”. O que se pode dizer disto?
É legítima a contínua associação feita pelos muçulmanos entre as ações de governos e empresas ocidentais e o cristianismo? É lícito concluir que as ações políticas, militares e econômicas do Ocidente no mundo islâmico são motivadas por preocupações cristãs ou aprovadas pelos cristãos em geral?
Os muçulmanos gozam de plena liberdade e tolerância religiosa no Ocidente, mas negam esses direitos aos cristãos no mundo islâmico. O que isso revela acerca do islamismo?
De que maneiras os cristãos podem apoiar as reivindicações legítimas dos muçulmanos sem deixar de criticar os aspectos condenáveis do islamismo e sem se omitir nas suas responsabilidades missionárias para com o mesmo?

Sugestões bibliográficas:
ARMSTRONG, Karen. Em nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
BERTUZZI, Federico A. (Ed.). Rios no deserto: palestras sobre a evangelização de muçulmanos. São Paulo: Sepal, 1993.
CANER, Ergun Mehmet, e CANER, Emir Fethi. O islã sem véu: um olhar sobre a vida e a fé muçulmana. São Paulo: Editora Vida, 2004.
LO JACONO, Cláudio. Islamismo: história, preceitos, festividades, divisões. São Paulo: Globo, 2002.
RASHID, Ahmed. Jihad: a ascensão do islamismo militante na Ásia Central. São Paulo: Cosac e Naify, 2003.

Fonte: http://www.mackenzie.br/ vide: http://equattoria.blogspot.com/

A primeira missionária solteira

Betsy Stockton

A primeira mulher solteira a servir como missionária no estrangeiro foi a americana Betsy Stockton, mulher negra e ex-escrava, que foi para o Havaí, em 1823.
Certa de que Deus a chamara para servir como missionária no exterior, ela candidatou-se ao cargo na Junta Americana e os diretores concordaram em enviá-la para o estrangeiro – mas apenas como empregada doméstica de um casal missionário.
Apesar de sua posição inferior, ela foi considerada “apta para ensinar” e lhe permitiram dirigir uma escola. Mais tarde, viajou para Bombaim – Indía, onde serviu fielmente durante 34 anos na Missão Mirathi.
Em seu livro clássico sobre missões, publicado em 1910, Helen Barret escreveu sobre o progresso surpreendente das mulheres na evangelização mundial:
“Trata-se sem dúvida de uma história magnifica. Começamos fracas, hoje somos poderosas. Em 1861, havia uma única missionária no campo, em 1909 já eram 4.710 as mulheres solteiras em ação.
O desenvolvimento no exterior foi notável. Tendo começado com uma única professora, no inicio do jubileu contamos 800 professoras, 140 médicas, 380 evangelizadoras, 79 enfermeiras, 578 servidoras e ajudantes nativas”.
Mas por que tantas mulheres solteiras? O que as motivaria a deixar a segurança de suas famílias e sua pátria para uma vida de solidão, dificuldades e sacrifícios? As missões no estrangeiro atraiam as mulheres por uma variedade de razões:
1. O fato de de haver poucas oportunidades para o envolvimento num ministério de tempo integral em seu país, pois os serviço cristão era considerado uma atividade masculina.
2. O campo também servia para prover aventura e estímulo.
3. Tinham oportunidades únicas que o homens não tinham em muitos países, pois através do trabalho feminino o evangelho superou barreiras culturais e religiosas. Em 1879 a missionária Lottie Moon escreveu: “Acredito que uma mulher solteira na China vale por dois homens casados”.
4. As mulheres se distinguiram em quase todos os aspectos do trabalho missionário. Elas estabeleceram escolas no mundo inteiro, incluindo uma Universidade para oito mil alunos em Seul – Coreia.
5. As Escrituras foram colocadas a disposição pela primeira vez, para várias línguas através de sua persistência.
6. Pela coragem delas. Escreveu herbert Kane: “Quanto mais difícil e perigosa a tarefa, maior o número de mulheres em proporção ao de homens”.
7. Outra peculiaridade das mulheres nas missões relaciona-se mais com a sua apreciação do ministério, do que com o ministério em si. As mulheres, de maneira geral, achavam mais fácil admitir suas fraquezas e vulnerabilidade e apresentar um quadro mais verdadeiro da vida de um missionário “super santo”.

Vejamos algumas missionárias bem sucedidas no campo:

Charlotte (Lottie) Diggs Moon – viajou para a China em 1872 e morreu em 1912. Viveu duas vidas separadas na China. Parte do ano era gasto nas povoações fazendo trabalho evangelístico e a outra parte ela passava em Tengchow, onde treinava novos missionários, aconselhava as mulheres chinesas e lia com prazer os livros e revistas ocidentais. Escreveu inúmeros livros que abriram caminho para a sua extraordinária influência sobre a Igreja Batista do Sul dos EUA, escritos estes dirigidos às mulheres para que dessem mais apoio às missões.

Amy Carmichael – foi uma inspiração para todas as denominações no Reino Unido. Seus 35 livros descrevendo seus trinta e cinco anos na Índia, fizeram dela uma das missionárias mais queridas de todos os tempos. Seu caráter era a chave de seu sucesso para a evangelização mundial. “Tinha um caráter mais semelhante a Cristo que já encontrei”, afirmou Sherwood Eddy, estadista. Ainda afirmou: “…sua vida foi a mais fragrante, a mais jubilosamente sacrificial, que já conheci…” Ela morreu em Dohanavur em 1951, aos 83 anos de idade.

Maude Cary – Em 1901, navegou para o Marrocos com quatro outros missionários, a fim de começar seus 50 anos de serviço. Dedicou-se intensamente ao estudo da língua marroqui. Dirigiu uma escola de línguas e ajudava os novos recrutas a se adaptarem. Aos 71 anos de idade organizou um Instituto Bíblico para ensinar jovens marroquianos do sexo masculino, houve apenas três matrículas. Em 1967 o governo marroquino fechou todo acesso às missões estrangeiras, pois eram mulçumanos. Setenta e cinco anos de serviço terminaram. As estações de rádio continuaram a transmitir o evangelho, mas a pequena igreja marroquina ficou sozinha. Logo depois a incansável missionária Maude Cary partia para estar com o Senhor. No seu funeral houve apenas dois ramos de flores, quase nenhuma lágrima, algumas pessoas, sete das quais eram ministros.

Johanna Veenstra – Durante os anos 20 a 30, entregou sua vida na África. Morava numa cabana nativa sem teto e chão de terra. Estabeleceu um internato para treinar rapazes como evangelistas, o qual chegou a matricular 25 deles de uma só vez. Ainda achava oportunidades para serviços médicos e evangelísticos. Suas viagens de vila em vila duravam várias semanas e eram realizadas em uma bicicleta. Ela era um pioneira preparando o terreno para outros. Em 1933 ela havia entrado no hospital da missão para o que julgava ser uma cirurgia de rotina, mas não se recuperou e faleceu. “De uma cabana de barro para uma Mansão nos Céus.

Dezenas e centenas de outras mulheres solteiras aceitaram o desafio missionário para irem ao lugares mais difíceis da terra para levar a mensagem do amor de Cristo. Muitas delas foram martirizadas no campo missionário, mas nunca desistiram. Outras nem sabemos os seus nomes, mas no grande dia do Tribunal de Cristo, lá estarão para receberem a recompensa final pelo labor realizado nas missões transculturais.
Que o Senhor continue convocando mulheres dedicadas para a Obra Missionária, e oremos por aquelas que já estão no campo de batalha, levando o Evangelho a toda criatura. A Deus toda glória.

Fonte: http://www.basemissionaria.com.br vide (vide http://veredasmissionarias.blogspot.com/)

4 motivações missionárias

André Filipe, Aefe!

A partir de uma sondagem interna, algumas leituras e, claro, pelas próprias Escrituras, separei 4 motivações necessárias e recorrentes no missionário. Em ordem crescente de importância, ficou assim:

1) Espírito de aventura
Tinha certo receio em falar que fui levado às missões devido a leituras da National Geographic. Criei coragem com William Carey: paradigma das missões modernas, seu interesse pelos povos começou pelo acesso aos relatos das viagens do grande explorador inglês James Cook. Mas não só ele: grandes empreendimentos missionários surgiram na Europa do século XVI justamente influenciados pelos relatos das culturas do Novo Mundo descoberto por portugueses e espanhóis.
E é verdade. Se o missionário não tiver certo gosto pela aventura: o desprendimento, a curiosidade e o fascínio por culturas e línguas diferentes, o gosto pela mobilidade; terá sérias dificuldades de adaptação. Concomitante ao Espírito Santo, não foi o espírito de aventura que levou Paulo a empreender viagens por diferentes regiões do mundo?
Tá certo que o missionário não é um herói, figura romanticamente marcada neste ministério. Do tipo que, apesar das lutas, logo virá a vitória e o reconhecimento do mundo. Mas é um aventureiro do mundo real, cuja picada de cobra machuca, em quem a malária traz sofrimento, aprender outra língua é difícil, acompanhado de muita monotonia e solidão. Mas foi por desbravadores que descobrimos o mundo e é com eles que Deus espalha sua igreja.

2) Paixão pelos perdidos
A realidade do inferno é um fator propulsor da missão. Entender que as pessoas só serão livres do inferno se ouvirem a Palavra de Deus e entregarem suas vidas a Jesus Cristo, e amá-las profundamente, este entendimento têm movimentado milhares de famílias ao redor do mundo, que enfrentam doenças, mares, florestas e perigos diversos. O mais famoso é o movimento conhecido como os Irmãos Morávios, na Saxônia, cujo principal líder, conde Zinzendorf, foi muito influenciado pelo pietismo da Universidade de Halle, Alemanha.
A paixão pelos perdidos não significa que a salvação deles depende de nosso esforço pessoal, e até o conceito de “perdidos”, consagrado no imaginário missionário, pode não ser entendido corretamente. Mas a “paixão pelos perdidos”, ou melhor, este sentimento de misericórdia por  aqueles que ainda não entregaram suas vidas ou ainda não ouviram o evangelho de Jesus Cristo, considero um amor descomunal, extraordinário, mas que tem como modelo o próprio Jesus Cristo, e capacitador, seu Espírito Santo. É um sentimento que excede ao do cuidado pastoral pelas ovelhas, de pregação para fortalecimento e edificação. É uma vocação para ir às ruas buscar os escolhidos de Cristo, e sofrer e chorar por aqueles que não ouvem a pregação. O profeta Jonas, finalmente ao obedecer a Deus, erra por obedecer sem misericórdia e compaixão.

3) Obediência à Palavra e ao Espírito.
O sentimento de dever ao mandato de Deus para levar o evangelho a todos os povos foi o fundamento da Reforma missionária protagonizada pelo já citado William Carey, que sozinho traduziu a Bíblia para diversas línguas, foi perseguido pelo governo da Índia, pôde influenciar a cultura retirando práticas de assassinato, plantou igrejas, Universidade e Hospitais.
A Palavra é clara quanto a nossa responsabilidade de resplandecer a Luz de Cristo e sermos testemunhas do seu evangelho. Mas quando falo de obediência à Palavra E ao Espírito, refiro-me a uma vocação especial, individual.
Nem todos são dirigidos por Deus para saírem de seu país, de sua cultura. Mas aqueles são vocacionados pelo Espírito, desobedecem mesmo não atendendo a algo claro nas Escrituras. Jonas obedecia a Deus em Israel; desempenhava seu ofício profético, e poderia desempenhá-lo também em Társis. Mas Deus o dirigiu para outro lugar, e ele não foi.
O livro de Atos mostra que quem dá as coordenadas geográficas para o desenvolvimento da Igreja é o Espírito. Assim, posso até estar obedecendo ao Mandamento geral das Escrituras, de ser testemunha em minha cidade. Mas se o Espírito me chama para sair, ir para outro lugar, estarei sendo igualmente desobediente se não seguir adiante.

4) Ardente desejo de contemplar a Glória de Deus por toda parte.
Tenho um apreço enorme pelo ministério de tradução da Bíblia. Traduzir um livro da Bíblia para uma língua e uma cultura que não a possui deve ser uma experiência sobrenatural. No entanto, penso que não deve haver alegria e satisfação maior para um missionário do que traduzir cânticos. Quando um missionário traduz o livro da Bíblia, traduz na expectativa da conversão. Quando traduz um cântico, traduz na certeza de que crentes se converteram ao Evangelho e por isso estão aptos para adorar o Cordeiro Jesus.
Ouvir cânticos de adoração numa comunidade em que não havia cânticos de adoração deve ser uma experiência fora de série para um missionário. Ouvir testemunhos de atos soberanos de Deus, ouvir orações de gratidão numa igreja recém-nascida, não deve haver alegria maior para um missionário.
Você pode não ter um espírito de aventura, você pode não ser um cara super obediente ao Senhor Jesus, ou mesmo não ter aquele amor extraordinário, mas se o seu coração pulsa forte e seu olhos almejam ver a glória do Nome de Jesus Cristo por toda parte, então você é um missionário.

30 Dias de Oração pelos Povos Indígenas do Brasil

Organizador: Ronaldo Lidório

Revisores: Cácio Silva, Cassiano Luz, Henrique Terena, Marcelo Carvalho, Márcio Schmidel e Kézia Lidório

Fontes: Banco de dados do Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (DAI-AMTB) e Relatório Etnias Indígenas Brasileiras 2010 (www.revista.antropos.com.br)

Colaboração:

  • · APMT (Agência Presbiteriana de Misssões Transculturais)
  • · DAI-AMTB (Departamento de Assuntos Indígenas da Asssociação de Missões Transculturais Brasileiras)
  • · CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas)
  • · INSTITUTO ANTROPOS
  • · SEPAL (Servindo aos Pastores e Líderes)

Maiores informações sobre os povos indígenas do Brasil:

www.indigena.org.br

www.conplei.org.br

www.instituto.antropos.com.br

© Instituto Antropos 2011. Reprodução permitida.

Contato: equipe.antropos@terra.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Introdução

Deus ouve as orações, e esta é uma das verdades mais fantásticas da vida cristã.

Era comum Jesus convidar seus discípulos para momentos de oração (Lc 11:1). Desejava conduzi-los a um ato de fé e a momentos de intimidade com o Pai. Ao longo de sua vida e ministério Jesus continuamente orava (Mc 6:46). Por vezes se distanciava da multidão para uma noite inteira de intercessão, outras vezes falava com o Pai em curtas frases em meio à agitação diária (Mt 26:44). Em Suas orações frequentemente nos apresentava a Deus rogando por nossas vidas (Jo 17:15).

A oração nos convida ao relacionamento. Ela nos coloca aos pés do Senhor para buscarmos a Sua presença, conversarmos sobre as coisas do coração e sermos por Ele sondados. A oração provavelmente mais arriscada em toda a Palavra foi proferida pelo salmista quando clamou: Sonda-me ó Deus e conhece o meu coração. Prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho mal e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:23). Nela o salmista roga para que o Senhor o sonde reconhecendo que não somos capazes de sondar a nós mesmos, precisamos de Deus para entender nosso próprio coração. Roga que o Senhor o prove pedindo que Deus o conduza nos processos dos pensamentos, pois dependemos dEle para isto. Por fim roga que Ele o guie afirmando que sem Ele estamos perdidos. Orar, portanto, não é tão somente apresentar nossas petições perante o Altíssimo, é nos aproximarmos do Seu coração.

Mas não basta orar, é necessário perseverar em oração (Ef. 6:18). No livro de Atos vemos que a Igreja do primeiro século perseverava “na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At. 2:42). Este texto funciona como um elo de ligação entre o Pentecoste e a vida diária da Igreja. As Escrituras destacam aqui de forma objetiva que esta comunidade que seguia a Cristo era a comunidade da perserverança, que cria no impossível e caminhava na vontade do Pai mesmo durante as épocas de maiores incertezas, e o fazia em oração.

Gostaria de convidá-los a orar e perseverar em oração pelos povos indígenas do Brasil nestes dias. Temos ainda em nosso país 121 etnias pouco ou não evangelizadas, 37 vivendo em risco de extinção, 111 grupos em complexos processos de urbanização, 38 línguas com clara necessidade de tradução bíblica e 99 etnias onde há uma igreja indígena, mas ainda sem liderança própria. Os missionários evangélicos atuam em 182 etnias em evangelização, plantio de igrejas, treinamento de líderes e ações sociais, coordenando 257 programas sociais. São desafios enormes. Precisamos rogar ao Senhor pela renovação das forças dos que estão com a mão no arado, novos obreiros para novas iniciativas, sinceras conversões entre os grupos e o fortalecimento da Igreja Indígena no Brasil, recursos para os trabalhos, o abrir das portas que permanecem fechadas e, sobretudo, clara direção do Alto para que seja feita a Sua vontade.

Nestes 30 dias rogue ao Senhor da Seara por cada vida, etnia e missão, em perseverança, crendo que o Senhor ouve as orações.

Ronaldo Lidório

DIA 1 – Oremos pelos Indígenas do Brasil

O Brasil indígena é formado por 228 etnias conhecidas e oficialmente reconhecidas, 27 isoladas, 10 parcialmente isoladas, 9 possivelmente extintas (sem comprovação conclusiva), 41 ressurgidas e 25 ainda a pesquisar, totalizando 340 grupos.

A população aproximada em 2010 é de 616.000 indígenas. Dentre estes, 52% habitam em aldeamentos e 48% em regiões urbanizadas ou em urbanização. Cerca de 60% da população indígena brasileira habita a Amazônia Legal, composta pelos estados do Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão. A partir das leituras de movimentos demográficos, porém, estima-se que em 5 anos o número dos que vivem em aldeias será equivalente aos que vivem nas pequenas e grandes cidades. A partir de 2015 a quantidade de indígenas habitando centros urbanos será, certamente, maior e em gradual aumento.

Neste universo de diversidade e multiculturalidade encontram-se as 121 etnias pouco ou não evangelizadas. São aquelas em que o evangelho de Cristo ainda não chegou, ou foi comunicado apenas a uma parte do grupo. Este tem sido um dos alvos de oração e também de esforço missionário. O DAI-AMTB (Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais Brasileiras) reúne 41 agências missionárias filiadas, as quais abrigam missionários vinculados a mais de 120 diferentes denominações evangélicas. Juntamente com outros movimentos parceiros, como o CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas), há uma crescente atenção neste presente desafio de comunicar o evangelho de Cristo aos que ainda não o conhecem.

Oremos:

1. Pelos grupos indígenas do Brasil e os complexos processos de manutenção de identidade, língua e cultura em meio a uma sociedade envolvente.

2. Pelas graves carências sociais, especialmente em educação, saúde e subsistência, que atingem mais de 70% dos grupos indígenas em nosso país.

3. Pelos 37 grupos vivendo em risco de extinção.

4. Pelos 121 grupos pouco ou não evangelizados, para que ouçam a respeito de Cristo.

5. Por 500 novos missionários que possam colaborar com as iniciativas em curso e se envolver com a tarefa ainda inacabada.

DIA 2 – Oremos pela Igreja Indígena no Brasil

A Igreja Indígena é um movimento crescente em nosso país e, possivelmente, maior do que se imagina. Os últimos congressos de indígenas evangélicos promovidos pelo CONPLEI, com milhares de participantes, mostram um pouco desta realidade. Esta igreja está presente, em diferentes níveis de representação, em 150 etnias, possuindo igreja local com liderança própria em 51 e sem liderança própria em 99.

Há presença missionária evangélica em 182 etnias indígenas, representando mais de 30 agências missionárias evangélicas e quase 100 diferentes denominações.

Há 16 seminários e cursos bíblicos no Brasil com ênfase no preparo indígena e 3 movimentos nacionais de iniciativa e coordenação indígena evangélica: o Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI), a Associação de Mulheres Evangélicas Indígenas (AMEI) e a Associação Indígena de Tradudores Evangélicos (AITE).

Há 121 etnias pouco ou não evangelizadas, ou seja, aquelas em que não há presença missionária evangélica nem mesmo crentes na etnia. Outros fatores, como acesso a outras etnias evangelizadas e dispersão demográfica, também foram considerados nesta categoria. Destas 121 etnias pouco ou não evangelizadas, 74 habitam áreas viáveis, mais abertas politicamente. O restante se divide entre áreas parcialmente restritas (13) ou totalmente restritas (34).

Dentre as 150 etnias com presença evangélica indígena, 99 não possuem liderança própria e, destas, 54 não dispõem de acesso a nenhum programa de ensino bíblico. Isto demonstra que a Igreja indígena está em franco crescimento, porém não há proporcional desenvolvimento do ensino e treinamento, o que pode gerar graves problemas como sincretismo e nominalismo.

Oremos para que a Igreja Indígena, juntamente com as agências missionárias, possam também efetivamente trabalhar no combate ao alcoolismo, consumo de drogas, infanticídio e violência contra a mulher entre as etnias do nosso país. São problemas sérios que demandam compromisso de longo prazo.

Oremos:

1. Pelo crescimento e amadurecimento da Igreja indígena.

2. Pelo treinamento de novos líderes indígenas, especialmente entre os 99 grupos sem liderança evangélica própria.

3. Pelo CONPLEI, AMEI e AITE.

4. Pelos líderes indígenas nacionais como Henrique Terena, Edson Bakairi, Eli Tikuna, Jaison de Souza, Jonas Reginaldo, Leonísia Firmo, Luiz Terena e Paulo Nunes, além de vários outros preciosos irmãos.

5. Para que a Igreja indígena se torne mais e mais missionária.

DIA 3 – Oremos pelas Organizações Missionárias

Mais de 30 Agências missionárias, representando cerca de 100 denominações evangélicas, formam hoje este efetivo missionário entre os indígenas do Brasil onde se misturam as ações brasileiras, estrangeiras e indígenas, de mãos dadas. Devemos neste dia nos lembrar de louvar a Deus pelos pioneiros que vieram antes de nós deixando suas terras, igrejas e famílias. Vieram abrir o caminho. A Igreja Indígena é hoje fruto desta dedicação.

Oremos pelas agências missionárias vinculadas ao DAI/AMTB (Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais Brasileiras): AEMI (Associação Evangélica Missionária Indígena), AGEMIW (Agência Missionária Wesleyana), ALEM (Associação Linguística Evangélica Missionária), AMANAJÉ, AMEI (Associação de Mulheres Evangélicas Indígenas), AMEM (A Missão de Evangelização Mundial), AMIDE (Associação Missionária para Difusão do Evangelho), APEC (Aliança Pró-Evangelização de Crianças), APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais), ASAS DE SOCORRO, ATE (Associação Transcultural Evangélica), ATINI (A Voz pela Vida), CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas), GAPCK (Seminário Teológico Timóteo do Amazonas), GRAVAÇÕES BRASIL, INSTITUTO ANTROPOS, JAMI (Junta Administrativa de Missões da Convenção Batista Nacional), JMN (Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira), JOCUM (Jovens com Uma Missão), MCD (Missão de Cristianismo Decidido), MEIB (Missão Evangélica aos Índios do Brasil), MEU (Missão Evangélica Unida), MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), MICEB (Missão Cristã Evangélica do Brasil), MISSÃO ANTIOQUIA, MISSÃO EVANGÉLICA CAIUÁ, MISSÃO HORIZONTES, MIU (Missão Indígena Uniedas), MNTB (Missão Novas Tribos do Brasil), MISPA (Missão Priscila e Aquila), OMITTAS (Organização da Missão Indígena da Tribo Ticuna do Alto Solimões), SAIM (South America Indian Mission) e SIL (Sociedade Internacional de Linguística).

As iniciativas missionárias evangélicas presentes em 182 etnias indígenas no Brasil atuam na evangelização, ações sociais, plantio de igrejas, tradução bíblica e treinamento de líderes. Coordenam 257 diferentes programas sociais, colaborando com a subsistência em áreas de maior necessidade e tantas outras iniciativas, representadas por ações em educação na língua materna, minimização dos problemas de saúde, valorização da cultura e da língua tradicional.

Oremos:

1. Para que o Senhor fortaleça as Organizações Missionárias em suas necessidades.

2. Pelos processos de evangelização, tradução da Bíblia, ações sociais e plantio de igrejas entre os que pouco ou nada ouviram.

3. Pelos 257 programas sociais, para que sejam usados para minimizar o sofrimento e promover a dignidade indígena.

4. Pela liderança de cada Organização Missionária, para que o Senhor lhes dê sabedoria.

5. Por clara visão do Senhor para novos passos na direção que seja prioritária para o Reino.

DIA 4 – Oremos pelos Missionários

Há grave necessidade de um efetivo missionário maior em quase todas as frentes missionárias indígenas, tanto para manter o trabalho valorosamente começado anos ou décadas atrás, bem como iniciar novos trabalhos onde há oportunidades, mas poucos recursos humanos.

Devemos orar por aqueles que já estão no campo há algum tempo, sejam veteranos e pioneiros ou mais jovens e recém-chegados. Que o Senhor os sustente dando ânimo novo e forças renovadas. Também pela provisão para cada projeto missionário.

Os últimos anos têm sido marcados por um desejo de novos grupos ou comunidades indígenas de ouvir a Palavra de Deus. Muitos apelos, porém, ficam sem resposta, pois não há quem vá. Também na retaguarda, atuação de base, trabalhos especializados de apoio e consultorias há grave carência de maior presença missionária. Não há presença missionária em 147 etnias indígenas no Brasil, sendo 95 conhecidas, 27 isoladas e 25 a pesquisar.

Devemos orar por novos missionários que: (1) tenham compromisso com Cristo e a obra missionária entre os povos indígenas; (2) estejam desejosos de se envolverem com desafios e programas de médio e longo prazo; (3) sejam aptos ao aprendizado de uma nova língua e cultura; (4) tenham forte desejo de se envolverem com o universo indígena de forma integral; (5) sejam aprovados segundo a Palavra de Deus (1 Timóteo 3).

Oremos:

1. Pelos missionários em seus campos e ministérios, por forças novas e ânimo no Senhor. Por um bom relacionamento com a equipe de trabalho e também com o indígena.

2. Pelas famílias missionárias, boa saúde, vida em família e criação dos filhos no Senhor. Também por provisão pessoal para os projetos familiares.

3. Por novos missionários, relacionamento com suas igrejas enviadoras e agências missionárias, provisão para suas vidas e início de ministério e, sobretudo, vida com Deus e clara direção do Alto para o próximo passo.

4. Por discernimento quanto ao trabalho e perseverança para os novos missionários. Por um bom relacionamento com a equipe de trabalho e com o indígena.

5. Por facilidade no aprendizado de língua e compreensão da cultura com a qual se relaciona. Por amor a Cristo e aos indígenas com os quais trabalha. Por alegria no ministério.

DIA 5 – Oremos pelas Traduções Bíblicas

Consideramos a existência de 181 línguas indígenas no Brasil, apesar das diferentes discussões e estudos ainda inconclusivos sobre várias delas.

O trabalho missionário tem sido um dos principais promotores da grafia e preservação das línguas tradicionais dos povos indígenas em nosso país e diversas outras partes do mundo.

Em 54 línguas há programas de análise linguística e letramento em andamento, sob iniciativa evangélica. Em 31 destas línguas há também programas de tradução bíblica em andamento. No momento, contamos com 58 línguas que possuem porções bíblicas, o Novo Testamento ou a Bíblia completa em seu próprio idioma, material que serve a 66 etnias.

Em 3 línguas há a Bíblia completa (que serve a 7 etnias); em 32 há o Novo Testamento completo (que serve a 36 etnias) e em 23 há porções bíblicas (que servem ao mesmo número de etnias).

Há 10 línguas com clara necessidade de tradução bíblica, 28 com necessidade de um projeto especial de tradução com base na oralidade e 31 com situação ainda indefinida, a avaliar. Estas 31 línguas a avaliar são faladas por 59 etnias. Tanto as línguas com necessidade de projetos de tradução quanto aquelas com necessidade de um projeto especial de oralidade possuem pouquíssima possibilidade de compreensão do Evangelho em alguma outra língua, por outros meios de comunicação ou outros grupos próximos. Oremos especialmente pelos Aweti (Mato Grosso), Húpdah (Amazonas), Juruna (Mato Grosso e Pará), Kamayurá (Mato Grosso), Karitiana (Rondônia), Mynky (Mato Grosso), Panará (Mato Grosso e Pará), Waimiri-Atroari (Amazonas e Roraima) e Zo’é (Pará).

Oremos:

1. Pelo uso das Escrituras já traduzidas e disponibilizadas: para que sejam abundantemente usadas pela Igreja indígena.

2. Pelas 38 línguas conhecidas sem as Escrituras: novas iniciativas, bem como projetos de oralidade.

3. Pelos projetos em andamento em 54 diferentes línguas: ânimo renovado para cada linguista-tradutor, agência missionária e igreja envolvidas com estes projetos.

4. Por novos linguistas, tradutores, educadores e mestres.

5. Pela AITE (Associação Indígena de Tradutores Evangélicos) bem como pelas igrejas indígenas sem as Escrituras em seu próprio idioma.

DIA 6 – Oremos pelo Uso das Escrituras

O trabalho de tradução e uso das Escrituras é longo e requer um envolvimento integral de, pelo menos, uma geração. Não é suficiente traduzir as Escrituras, mas também alfabetizar os que a lerão e despertar neles o desejo de fazê-lo. Além da forma clássica de tradução bíblica (publicações impressas) há também muitos desafios para a produção de material em audio e audiovisual. A transmissão das Escrituras de forma oral tem sido uma ótima estratégia de comunicação das Boas Novas e se adequa a diversas línguas e contextos.

Há 17 etnias com acesso à Bíblia (seja porção, Novo Testamento ou Velho Testamento) na língua materna, mas sem indígenas evangélicos entre eles. Ou seja, a Bíblia está presente, mas não está sendo usada. Há ainda outras 25 etnias com o mesmo acesso à Bíblia e com existência da igreja indígena local, mas sem liderança própria.

O desafio de tradução e transmissão das Escrituras se faz presente, assim, tanto nas 10 línguas com carência confirmada de tradução bíblica, como nas 28 com necessidade de um projeto especial de oralidade e, também, nas 54 que possuem projetos linguísticos e de tradução em andamento. É imperativo apoiarmos aqueles que já estão no caminho, com longo trabalho já realizado, e não somente investirmos em novas iniciativas.

Vemos, portanto, que nesta área precisamos olhar para os que já estão caminhando, para que não parem ao longo do caminho; para os que irão iniciar a caminhada com novos desafios; e para aqueles cujo trabalho de tradução já foi concluído, mas o uso das Escrituras necessita ser reavivado. Precisamos de educadores e mestres na mesma proporção que linguistas e tradutores.

Oremos:

1. Para que a Igreja Indígena tenha crescente interesse pela Palavra em sua própria língua. Por proveito na leitura, aprendizado e reprodução da Palavra a outros.

2. Por mais missionários linguistas e tradutores, bem como educadores e mestres em cada grupo indígena com tal necessidade.

3. Pela disponibilização das Escrituras de forma escrita, gravada, contada ou dramatizada (e, sobretudo em testemunho) em cada etnia indígena do Brasil.

4. Pelos projetos de tradução em andamento, para que os indígenas tenham interesse na participação dos mesmos desde já.

5. Pelas organizações e iniciativas missionárias promotoras da Palavra entre os indígenas: por perseverança, bom trabalho, portas abertas e criatividade na disponibilização das Escrituras em cada língua do nosso país.

DIA 7 – Oremos pelos Indígenas Urbanizados

Considerando que 48% da população indígena brasileira já vive hoje em áreas urbanizadas é necessário orar por este desafio. Provavelmente, 111 grupos indígenas já vivem em contexto de urbanização, o que promove uma série de disfunções socioculturais.

A urbanização é um fenômeno produzido, sobretudo, pelos processos de atração que promovem a migração do indígena para áreas urbanizadas, pequenas e grandes cidades. Os principais elementos de atração são: (1) busca por educação formal em português; (2) proximidade de uma melhor assistência à saúde; (3) acesso a produtos assimilados (especialmente roupas, alimentos, entretenimento e álcool); e (4) expectativa de melhor subsistência.

Os dados quanto ao processo de urbanização e suas implicações socioculturais, sociolinguísticas e familiares ainda são inconclusivos, porém, apontam, em grande parte, para um cenário por demais preocupante, formado por sérias deficiências de inclusão social, empobrecimento da dieta alimentar e dificuldade de acesso às iniciativas de assistência pública.

A evangelização dos grupos urbanizados também representa um grande desafio. Duas posturas têm sido observadas de forma mais presente neste contexto. Primeiramente, ignorar e discriminar a presença indígena na cidade evitando o contato e qualquer iniciativa de relacionamento. Em segundo lugar, abordá-los sem critérios de sensibilidade cultural, incorporando-os à trabalhos com padrões não indígenas que promoverão dificuldades de comunicação e algum sistema de exclusão.

Oremos:

1. Pelos 111 grupos indígenas em processo de urbanização.

2. Pelas políticas públicas, para que possam contemplar este grupo quase invisível nas cidades brasileiras.

3. Pelas iniciativas evangélicas entre eles, de forma ativa, intencional e culturalmente sensível.

4. Por lideranças indígenas evangélicas que possam conduzir o povo nesta difícil caminhada.

5. Pelas iniciativas do CONPLEI, que visam facilitar a experiência de urbanização dos indígenas evangélicos.

DIA 8 – Oremos pelas Ações Sociais e Direitos Humanos

Historicamente as iniciativas missionárias sempre se associaram às ações sociais, especialmente nas áreas de educação e saúde.

Em 165 etnias indígenas há programas e projetos sociais coordenados por missionários evangélicos. Destas, 92 possuem um programa social ativo, 54 possuem dois programas sociais ativos e 19 possuem 3 ou mais programas, perfazendo 257 programas e projetos com ênfase nas áreas de educação (análise linguística, registro, letramento, publicações locais e tradução), saúde (assistência básica, primeiros socorros e clínicas médicas), subsistência e sociocultural (valorização cultural, promoção da cidadania, justo comércio e inclusão social). Apenas 17 etnias com presença missionária evangélica não possuem um programa social ativo. Mais de 90% de todos os programas e projetos são subsidiados por igrejas, empresas e representantes evangélicos do Brasil. Estes números demonstram que a presença missionária evangélica está, histórica e tradicionalmente, sempre associada a iniciativas sociais e culturais, especialmente àquelas com forte valor para o povo local.

Várias destas iniciativas estão associadas à luta pelos direitos humanos. Um movimento nacional com ênfase no combate ao infanticídio foi iniciado pela ATINI – VOZ PELA VIDA, e aglutinou, nos últimos anos, apoio e participação de todos os segmentos evangélicos, despertando o debate, expondo fatos contundentes e resultando em ações de valorização à vida e apoio a crianças em risco de infanticídio.

Oremos:

1. Pelos 257 programas sociais coordenados pelos missionários: por sabedoria, perseverança e provisão de recursos humanos e financeiros.

2. Pelas populações indígenas com carências não supridas em áreas sociais: por novas iniciativas.

3. Por políticas públicas mais amplas que contemplem as populações com maiores carências.

4. Pela ATINI e a luta contra o infanticídio: pela liderança do movimento e conscientização das populações indígenas quanto ao assunto.

5. Pelos missionários envolvidos em ações sociais: por ânimo renovado a cada passo e provisão para cada projeto.

DIA 9 – Oremos pelas Etnias sob risco de Extinção

Dentre a diversidade do universo étnico indígena brasileiro encontram-se também 37 grupos vivendo em risco de extinção, levando em consideração sua população (inferior a 35 pessoas), elementos socioambientais desfavoráveis, limitado acesso à assistência de saúde, conflitos e dispersão, que são os 5 principais fatores no processo de extinção de um grupo.

Vale ressaltar que, além destas 37 etnias, outras 3 foram recentemente consideradas como extintas e 9 estão na categoria de possivelmente extintas, portanto é um processo dinâmico e amplo que atinge, especialmente, as etnias menores e sujeitas aos fatores mencionados. Devemos nos lembrar que etnias não se extinguem apenas no interior esquecido das matas, mas também no encontro de culturas, notadamente nos processos de urbanização.

Oremos pelos grupos minoritários e, especialmente, por aqueles que enfrentam situações de sofrimento humano e social.

Dentre às etnias sujeitas à extinção, lembremos de orar pelos Avá-Canoeiros, Txapacura, Arikapu, Ewuarhuyana, Juma, Krejê, Mandawaka, Tawandê, Yakarawakta e Wokarangma.

Oremos:

1. Por políticas públicas e iniciativas privadas que possam minimizar os problemas crônicos de saúde.

2. Pela diminuição dos conflitos no próprio grupo ou com membros de grupos vizinhos.

3. Pela evangelização e conversão destes grupos.

4. Pela preservação da língua, cultura e identidade.

5. Pela solução dos problemas que envolvem território.

DIA 10 – Oremos pelas 121 Etnias Pouco ou Não Evangelizadas

Há cerca de 121 etnias que podemos considerar pouco ou não evangelizadas. São aquelas onde o evangelho não foi proclamado ou ainda não há crentes no Senhor Jesus Cristo. Destas 121 etnias pouco ou não evangelizadas, 74 habitam áreas viáveis, ou seja, áreas onde não há fortes restrições para a entrada e permanência missionária. O restante se divide entre áreas parcialmente restritas (13) ou totalmente restritas (34).

Vários elementos fazem com que uma etnia permaneça ainda pouco ou não evangelizada após tantos anos de fé Cristã em nosso país, além de múltiplas iniciativas missionárias, porém, talvez o principal elemento seja de fato a carência de missionários.

Como representantes destes grupos pouco ou não evangelizados podemos orar pelos Akuriô (Pará), Arapaso (Amazonas), Aweti (Mato Grosso), Kantaruré (Bahia), Katiana do Biá (Amazonas), Kokuiregatejê (Maranhão), Makuna (Amazonas), Maopityán (Pará), Muru (Acre), Paiaku (Ceará), Sakiriabar (Rondônia), Turiwara (Pará) e Zoé (Amazonas).

Oremos:

1. Pela continuidade do trabalho de evangelização, para que o evangelho alcance o coração do povo na graça de Cristo.

2. Por novas iniciativas entre os que nada ouviram. Por novos missionários e clara direção para os menos evangelizados.

3. Por portas abertas junto ao grupo, tanto legais quanto comunitárias.

4. Pela relação destes grupos indígenas com outros já evangelizados onde há a Igreja de Cristo. Por testemunhos que transformam vidas.

5. Por perseverança e junção de forças para que todos ouçam, na própria língua e cultura, do Senhor Jesus.

DIA 11 – Oremos pelas Etnias Isoladas

Há, ainda, grupos indígenas com pouquíssimo ou nenhum contato com o mundo externo que são chamados de isolados. São 37 grupos listados nesta categoria, mas podem chegar a 52. São etnias minoritárias que, pela dinâmica de trânsito e habitação em áreas remotas, critérios de evitamento relacional com outros grupos ou conflitos que os levararam a se distanciar, permaneceram isoladas de outros segmentos.

Alguns destes grupos começam a se aproximar de áreas urbanizadas ou de outros grupos indígenas, e a pergunta que deve ser levantada é: sob quais critérios eles deixarão de ser isolados? Se o estado de isolamento os priva de alguns elementos desejáveis, como uma assistência mais ampla na área de saúde, a aproximação sem critérios da urbanização pode ser nociva ou letal ao grupo.

Não há critérios claros do Estado Brasileiro quanto a tais grupos, além de tentar mantê-los em isolamento. Devemos, assim, orar pelos Isolados da Serra do Taboleiro, Isolados da Serra do Taquaral, Isolados do Acre, Isolados do Alto Jutaí, Isolados do Alto Rio Envira, Isolados do Alto Rio Purus, Isolados do Arama e Inauini, Isolados do Bararati, Isolados do Cuminá, Isolados do Curuçá, Isolados do Igarapé Omerê, Isolados do Jatapu, Isolados do Rio Jari, Isolados Uru-Eu-Wau-Wau e Isolados do Xingu como representantes destes grupos ainda isolados em solo brasileiro.

Oremos:

1. Por uma política pública que seja realista e proponha critérios claros e aplicáveis em relação aos grupos que se aproximam de centros urbanizados ou o farão no futuro próximo.

2. Pelas situações de sofrimento, especialmente na área de saúde, além da complexidade de subsistência.

3. Para que, de alguma forma, Jesus Cristo torne-se conhecido entre eles.

4. Entre aqueles que já buscam um relacionamento com o mundo externo, por encontros que sejam seguros e benéficos.

5. Para que o Senhor os abençoe nas necessidades que desconhecemos.

DIA 12 – Oremos pelo Treinamento de Liderança da Igreja indígena

As 99 etnias com igreja evangélica, mas sem liderança própria, representam a extensão do desafio de treinamento em nossos dias. Junta-se a isto o fato de que 67 destas etnias possuem pouco acesso a cursos bíblicos e 54 não possuem nenhum acesso.

A Igreja Indígena vive um momento de crescente interesse na capacitação bíblica e em outras diversas áreas, porém sofre com a ausência de treinamento perante a demanda e necessidade. É necessário observarmos para onde o vento sopra e nos juntarmos a este movimento. Entre os anos de 2006 e 2007 há registro de 1.690 indígenas que participaram de encontros e congressos do CONPLEI ou apoiados pelo CONPLEI. Em 2008 e 2009 este número subiu para 2.350, demonstrando o grande interesse pela comunhão interétnica, treinamento e capacitação.

Há, portanto, necessidade de fortalecer os seminários e cursos já implementados para o treinamento indígena, investir em novas iniciativas como a Capacitação Bíblica Missionária Indígena (CBMI) e encorajar os movimentos de treinamento de própria iniciativa indígena, como o CONPLEI.

Uma das conclusões estratégicas mais claras e urgentes nestes últimos anos é a necessidade de investir de forma intencional e abundante no treinamento dos líderes indígenas evangélicos.

Oremos:

1. Pelos seminários de treinamento de líderes indígenas no Brasil: mais professores e provisão do Senhor para seu desenvolvimento.

2. Pela CBMI e outros programas usados para esta finalidade: provisão do Senhor e recursos humanos para o trabalho.

3. Pelo projeto de educação indígena do CONPLEI em Iranduba, Amazonas: professores, provisão de recursos humanos e financeiros e sabedoria para cada passo.

4. Pelos programas locais de treinamento indígena ligados às iniciativas missionárias e igrejas indígenas locais.

5. Por líderes indígenas crentes, amadurecidos, com conhecimento da Palavra, sabedoria do Alto e coração missionário.

DIA 13 – Oremos pelos Projetos em Andamento e Projetos Especializados

É necessário atenção às atividades missionárias em andamento, especialmente aquelas que estão em fase de consolidação ou conclusão (mais de 10 anos). Pela índole da Igreja Evangélica Brasileira e seu afã por novas iniciativas, não raramente deixamos para trás preciosas sementes que foram lançadas na terra há uma ou mais décadas e que precisam de maior atenção e apoio. Refiro-me, portanto, à presença missionária em 182 etnias, aos 257 programas sociais em atividade, aos projetos de linguística e tradução em 54 línguas, aos três grandes movimentos evangélicos indígenas e aos 16 seminários e cursos com ênfase no treinamento indígena. Há clara necessidade de apoio para a consolidação e continuidade de tais atividades.

Em diversas atividades missionárias há necessidade de apoio técnico especializado, essencial para a qualidade da produção. Podemos citar áreas como a linguística, antropologia, missiologia, pesquisa, desenvolvimento comunitário, ações sociais, medicina, enfermagem, odontologia, consultoria jurídica, transporte, comunicação e logística. Sem um adequado fortalecimento no apoio especializado, as ações missionárias entre os povos indígenas perderão força, qualidade e oportunidade.

Podemos observar instituições e iniciativas em áreas especializadas como Asas do Socorro (apoio logístico, transporte, comunicação e ações sociais), Instituto Antropos (capacitação missionária e ferramentas de capacitação de liderança indígena) e Celebrando a Libertação (combate ao alcoolismo em suas variadas formas). Tais iniciativas, especializadas, multiplicam as ações missionárias e melhoram a qualidade do serviço.

Oremos:

1. Pelas atividades missionárias em andamento, especialmente aquelas que estão em fase de consolidação ou conclusão (mais de 10 anos).

2. Pelos missionários que estão no campo há vários anos, por encorajamento, saúde e perseverança.

3. Pelos projetos especializados de apoio missionário nas áreas de linguística, antropologia, missiologia, pesquisa, desenvolvimento comunitário, ações sociais, consultoria jurídica, transporte, comunicação e logística.

4. Pela Missão Asas de Socorro, para que o Senhor envie mais missionários pilotos, mecânicos, administradores, profissionais de saúde e aqueles que seguram as cordas para que o trabalho avance.

5. Pelos 16 seminários que colaboram com o treinamento indígena no Brasil, por professores, recursos e alunos segundo o coração de Deus.

DIA 14 – Oremos pelas Iniciativas Missionárias das Igrejas Indígenas

Há no Brasil fortes igrejas indígenas que atuam além de suas fronteiras étnicas, como os Baniwa, Hixkariana, Kaiuá, Kuripako, Tikuna, Terena, Xerente e Wai-Wai, dentre outras. Há também igrejas mais localizadas, mas que possuem uma crescente visão e despertamento missionário. Todas elas são, em potencial, a maior força missionária para a evangelização dos pouco ou não evangelizados.

Devemos nos unir em oração para que estas igrejas, junto a outros grupos em que há uma igreja madura estabelecida e com liderança própria, possam desenvolver ações missonárias em seu próprio povo e além dele. Devemos orar por um movimento missionário de natureza indígena, liderado por indígenas, para os povos indígenas e além. Para que o Senhor desperte a Igreja Indígena Brasileira para a missão de ser sal da terra e luz do mundo.

As etnias Baniwa, Hixkariana, Kaiuá, Kuripako, Tikuna, Terena, Xerente e Wai-Wai, entre outras, possuem como perfil a presença de uma igreja evangélica viva e com liderança própria, com as Escrituras em sua própria língua e interesse em espalhá-las. Possuem também os desafios comuns a uma igreja que ainda é relativamente nova, que tenta formar sua própria liderança e consolidar sua identidade. A partir de tais etnias, um mover do Alto pode fazer chegar o Evangelho de Cristo aos que, ainda, nada ouviram, encorajar as igrejas que estão nascendo e colaborar para a consolidação das que buscam a autoctonia.

Oremos:

1. Pela igreja entre os Baniwa, Hixkariana, Kaiuá, Kuripako, Tikuna, Terena, Xerente e Wai-Wai: por um despertamento espiritual e missionário.

2. Pela Igreja Indígena presente em 150 etnias no Brasil: para que o Senhor desenvolva liderança madura, que ame a Palavra e conduza o povo a ações missionárias em seu próprio povo e além dele.

3. Pelas iniciativas da Igreja Indígena que já estão em andamento em direção aos não evangelizados, tanto indígenas quanto ribeirinhos: para que o Senhor abra as portas, dê boa direção e unidade em cada passo.

4. Por bons relacionamentos interétnicos da Igreja Indígena Brasileira com os grupos pouco ou não evangelizados.

5. Por sabedoria, para que a Igreja não indígena possa colaborar com a Igreja indígena nesta santa tarefa de proclamar as boas novas de Cristo entre todos os povos.

DIA 15 – Oremos pelos Tukano e Tukanizados

Os Tukano e tukanizados (grupos influenciados pela língua e cultura tukano) como os Siriano, Tariano, Arapaso, Makuna, Desano, Barasano, Miriti-Tapuya, Tuyuka e Pira-Tapuya, Brasil e Colômbia, totalizam quase 15.000 pessoas.

Estes grupos localizam-se no vale do Uaupés, noroeste da bacia Amazônica e também nos rios Tiquié e Pupuri, afluentes do rio Uaupés no Alto Rio Negro.

Os Tukano são, historicamente, um povo líder e influenciador em sua região. Apesar de, normalmente, se declararem católicos, há bastante sincretismo do catolicismo com a religião tradicional e muito poucos crentes conhecidos entre eles. Experimentam um crescente processo de urbanização e politização.

Oremos por conversões sinceras, liderança bem discipulada e fortes igrejas missionárias. Há 3 iniciativas específicas de trabalho missionário evangélico entre os Tukano no Brasil e devemos rogar ao Senhor para que elas se transformem em fortes e maduras igrejas missionárias.

O povo Tukano que habita a Amazônia brasileira recebeu, recentemente, o Novo Testamento completo em sua língua, motivo de muito louvor a Deus. Devemos orar para que haja sede pela leitura da Palavra e que esta possa falar a muitos corações.

Oremos:

1. Pelos crentes da etnia Tukano, para que fiquem firmes no Senhor Jesus, amem a Palavra e possam influenciar muitos outros dentre o seu povo.

2. Pela evangelização do povo Tukano e demais povos tukanizados no vale do Uaupés e derredores, por conversões sinceras.

3. Por líderes Tukano bem treinados na Palavra, com vida guiada pela Palavra e ardor missionário no coração.

4. Pelos missionários que atuam entre os povos Tukano e tukanizados, por forças renovadas, bons relacionamentos e oportunidade de evangelização.

5. Pelas incipientes igrejas entre os Tukano, para que sejam avivadas no Senhor para amarem a Palavra, buscarem vida santa e serem usadas por Deus na obra missionária.

DIA 16 – Oremos pela Região do Uaupés

Três das grandes áreas indígenas com aglutinação étnica e pouco evangelizadas no Brasil são o parque do Xingu, o vale do Javari e a região do Uaupés.

A região do Uaupés é formada pelo rio Uaupés, seus afluentes e interflúvios no noroeste do Amazonas, região limítrofe com a Colômbia. O Rio Uaupés e seus afluentes abrigam mais de 300 povoados e aldeias onde o evangelho pouco tem sido proclamado.

Nesta região habitam as etnias Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Húpdah, Karapanã, Kubeo, Wanano, Makuna, Miriti-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Taiwano, Tariano, Tatuyo, Tukano, Tuyuka, Kotiria, Yuhupdeh e Yuruti, dentre outras.

Dentre os povos da região do Uaupés, os Húpdah e Yuhupdeh são, tradicionalmente, etnias que habitavam o interior da mata e, atualmente, se aproximam dos grandes rios. São cerca de 3.200 pessoas espalhadas em dezenas de aldeias de difícil acesso, falando suas línguas com suas variações dialetais. Fazem parte da mesma família linguística que os Dâw, Nadëb, Nadëb do Rio Negro e, provavelmente, os Kakua e Nukak. Dentre estas, os Dâw e Nadëb foram evangelizados, havendo boas igrejas entre eles, porém o restante continua sem presença conhecida de convertidos ao evangelho de Cristo.

Estes grupos na região do Uaupés recebem influência católica há várias décadas, mas permanecem mais influenciados pela religião tradicional, tendo o pajé e seus benzimentos como centro de sua religiosidade.

Oremos:

1. Pelos povos da região do Uaupés, por acesso ao evangelho e conversões sinceras.

2. Para que Deus os liberte da dependência do caxiri (bebida feita com a fermentação de certo beiju feito da mandioca) e da cachaça (que bebem quando vão à cidade).

3. Para que Deus os liberte desse medo e temor dos espíritos e conheçam a pessoa do Senhor Jesus Cristo.

4. Pelas iniciativas missionárias na região, que possam ter oportunidades para comunicar o evangelho de Cristo.

5. Pelos missionários, por bom ânimo na caminhada, perseverança no trabalho, saúde, provisão e bons relacionamentos com os indígenas.

DIA 17 – Oremos pelo Vale do Javari

O vale do Javari é localizado no sudoeste do estado do Amazonas e faz divisa com o Peru, abrangendo áreas banhadas pelos rios Javari, Jutaí, Jandiatuba, Curucá, Ituí, Itacoaí e Quixito. Sua extensão territorial ultrapassa 8 milhões de hectares e é uma área demarcada pelo governo brasileiro. Esta região abriga, possivelmente, o maior número de índios isolados do mundo.

Abrange terras dos municípios de Atalaia do Norte, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença e Jutaí. Diversas etnias habitam o vale do Javari: Kanamari, Kulina Pano, Kulina Arawa, Marubo, Matis, Matsés (Mayoruna), Korubo e Tsohom Djapá, além dos isolados.

Nos últimos anos, tem sido constante o pedido de socorro médico por parte das etnias do Javari que denunciam as crises de saúde pública na região.

Há poucos crentes conhecidos entre as etnias do vale do Javari e as iniciativas missionárias enfrentam diversas barreiras. Devemos orar para que o Senhor abra portas até hoje desconhecidas e fortaleça os missionários que atuam nesta região.

Oremos:

1. Pelos povos do vale do Javari, por acesso ao evangelho e conversões sinceras.

2. Pelas igrejas nos municípios e povoados nos derredores do vale, que sejam usadas por Deus na relação com os indígenas quando visitam as cidades.

3. Por portas que se abram e oportunidades para a evangelização.

4. Pelas iniciativas missionárias na região, que possam ter oportunidades para comunicar o evangelho de Cristo.

5. Pelos missionários, por bom ânimo na caminhada, perseverança no trabalho, saúde, provisão de recursos humanos e financeiros e bons relacionamentos com os indígenas.

DIA 18 – Oremos pelo Parque do Xingu

A área cultural denominada de alto Xingu forma o Parque Indígena do Xingu, localizado no Mato Grosso. É formado por 16 etnias e mais de 6.000 indígenas.

Nas regiões sul, médio, baixo e leste Xingu habitam as seguintes etnias: Aweti, Ikpeng, Kaiabi, Kalapalo, Kamaiurá, Kisêdjê, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Tapayuna, Trumai, Wauja e Yawalapiti, Yudjá. São grupos distintos que se relacionam e partilham o mesmo território apesar de manterem suas distinções linguísticas e socioculturais.

Esta é uma das áreas indígenas menos evangelizadas no Brasil e restrita à presença missionária. Devemos orar para que o Senhor direcione a Igreja Indígena e iniciativas missionárias no relacionamento com os indígenas do Xingu.

Oremos:

1. Para que novas portas sejam abertas no parque do Xingu.

2. Para que o evangelho transforme os relacionamentos interpessoais entre os povos do Xingu.

3. Pelas iniciativas missionárias, para que sejam usadas pelo Senhor, tanto na evangelização quanto nas ações sociais.

4. Por perseverança para as ações missionárias entre os grupos do Xingu: boa saúde, forças novas, provisão e ânimo no Senhor.

5. Pelos sofrimentos humanos e sociais entre os povos do Xingu, que o Senhor os abençoe nas necessidades de saúde, relação entre os grupos e subsistência.

DIA 19 – Oremos pelos Yanomami

Os chamados Yanomami representam um conjunto étnico que habita o Brasil e Venezuela, com população superior a 27 mil pessoas. Falam 4 diferentes línguas e se distinguem, linguística e culturalmente, de qualquer outro grupo indígena na América do Sul. Somente no Brasil se espalham em 228 distintas aldeias.

Podemos dividi-los a partir das línguas faladas, como os Sanumá (tradicionalmente habitantes da parte oriental de Roraima), Yanomami (ou Xamatari), os Ninam (habitantes do Rio Mucajaí) e os Ajarani (encontrados no afluente do rio Branco).

Estes grupos são seminômades, vivem da caça, pesca e agricultura de subsistência, bem como da coleta de frutas na mata.

Pela distinção linguística e cultural, os Yanomami tendem a viver mais isolados dos demais grupos indígenas de sua região e manter pouco relacionamento intercultural com outras etnias. Produzem lindos artesanatos e são conhecedores da floresta por transitarem em seu interior mais remoto.

Há alguns anos, alguns Yanomami passaram a se converter ao Senhor Jesus, depois de décadas de trabalho com poucos resultados visíveis. Hoje, há interesse na Palavra em diversas aldeias e uma valorização do evangelho. Algo novo está acontecendo.

Os desafios, porém, são grandes em relação ao acesso, permanência e comunicação missionária.

Oremos:

1. Por conversões sinceras e amadurecimento da Palavra entre os Yanomami. Para que os convertidos possam evangelizar e discipular outros.

2. Para que o evangelho transforme os relacionamentos interpessoais entre os povos Yanomami minimizando os conflitos.

3. Pelas iniciativas missionárias entre os Yanomami, para que sejam usadas pelo Senhor, tanto na evangelização quanto nas ações sociais.

4. Por perseverança para os missionários entre os Yanomami: forças novas e bom ânimo. Pelos Yanomami crentes, para que perseverem no Senhor e possam evangelizar seu próprio povo.

5. Pelos sofrimentos humanos e sociais entre os Yanomami, que o Senhor os abençoe nas necessidades de saúde, relação interpessoal e entre grupos e subsistência.

DIA 20 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Aipim aos Húpdah

Oremos pelas 121 etnias indígenas pouco ou não evangelizadas nestes próximos dias, colocando perante o Pai seus nomes e rogando que venham ouvir plenamente o evangelho de Jesus Cristo, bem como tenham a provisão que necessitam para toda e qualquer carência social.

Lembremos de interceder pela relação dos povos indígenas com os não indígenas. Muitos vivem em território partilhado, onde há processos exploratórios no comércio e no trabalho. Oremos por relações sociais justas e não discriminatórias.

Oremos:

1. Pelos Aipim no Pará (população incerta) e Akuriô no Pará (138 pessoas).

2. Pelos Amanayé no Pará (210 pessoas) e Anambe no Pará (1680 pessoas).

3. Pelos Animpokoimo no Amapá, Pará e Roraima (população incerta), Apiaká no Mato Grosso, Pará e Amazonas (745 pessoas) e Aranã em Minas Gerais (363 pessoas).

4. Pelos Arapaso no Amazonas (526 pessoas), Arapiuns no Pará (população incerta) e Aweti no Mato Grosso (171 pessoas).

5. Pelos Baenã na Bahia (população incerta), Barawana no Amazonas (população incerta), Ewarhuyana no Pará (12 pessoas) e Hupdah no Amazonas (2.200 pessoas).

DIA 21 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Isolados do Taboleiro aos Isolados do Xinane

Continuamos a orar pelas 121 etnias indígenas pouco ou não evangelizadas em nosso país. Há cerca de 180 línguas indígenas vivas no Brasil, sendo que 132 etnias falam o Português (monolíngues, bilíngues ou trilíngues com o Português).

Oremos para que a Palavra chegue a cada coração na língua que lhe seja mais propícia, que conduza de forma facilitadora a mensagem de salvação em Cristo Jesus.

Intercedamos também para que missionários tenham facilidade no aprendizado das línguas indígenas e na compreensão de cada expressão cultural.

Oremos:

1. Pelos Isolados da Serra do Taboleiro em Santa Catarina (população incerta) e Isolados da Serra do Taquaral em Rondônia (50 pessoas).

2. Pelos Isolados do Acre (população incerta) e Isolados do Alto Jutaí no Amazonas (200 pessoas).

3. Pelos Isolados do Alto Rio Envira no Amazonas (população incerta), Isolados do Alto Rio Purus no Amazonas (população incerta) e os Isolados do Arama e Inauini no Amazonas (população incerta).

4. Pelos Isolados do Bararati no Amazonas (população incerta), Isolados do Cuminá no Pará (população incerta) e Isolados do Curuçá no Amazonas (50 pessoas).

5. Pelos Isolados do Igarapé Omerê em Rondônia (6 pessoas), Isolados do Igarapé Tabocal (população incerta) e Isolados do Igarapé Xinane (população incerta).

DIA 22 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Isolados do Tabocal aos Isolados do Tapirapé

Cada etnia pouco ou não evangelizada representa um desafio único. Os grupos menos evangelizados são, comumente, os que apresentam maiores barreiras, sejam geográficas, de acesso, linguísticas, culturais ou políticas.

Devemos orar para que o Senhor dê direção e criatividade a cada iniciativa missionária que intente proclamar as boas novas para estes grupos.

Também por cuidado cultural ao fazê-lo, para que contribuamos para que eles conheçam o evangelho e sejam assistidos socialmente dentro de sua própria cultura, sem imposições ou desrespeito.

Oremos:

1. Pelos Isolados do Igarapé Tabocal no Acre (população incerta) e Isolados do Igarapé Xinane no Acre (população incerta).

2. Pelos Isolados do Jacareúba no Amazonas (50 pessoas) e Isolados do Jandiatuba no Amazonas (300 pessoas).

3. Pelos Isolados do Jatapu no Amazonas, Pará e Roraima (50 pesssoas), Isolados do Madeirinha no Mato Grosso (população incerta) e Isolados do Mamoriazinho no Amazonas (população incerta).

4. Pelos Isolados do Mapuera no Pará (população incerta), Isolados do Parauari no Amazonas e Pará (população incerta) e Isolados do Rio Candeias em Rondônia (população incerta).

5. Pelos Isolados do Rio Jari no Pará (população incerta), Isolados do Rio Liberdade no Mato Grosso e Pará (população incerta) e Isolados do Rio Tapirapé no Pará (população incerta).

DIA 23 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Isolados do Teles Pires aos Karuazu

Um dos maiores desafios missionários na evangelização dos grupos pouco ou não evangelizados é a perseverança. Em geral, um trabalho em um grupo novo não é realizado em menos de 20 anos e, muitas vezes, bem mais que isto, até mesmo várias gerações. Isto envolve perseverança mesmo em épocas em que nada novo parece acontecer, confiança de que o Senhor está no comando e realizando Sua obra mesmo quando não conseguimos enxergá-la.

Oremos para que os missionários se encoragem mutuamente e sejam encorajados pela Igreja brasileira. Que a Igreja indígena seja também encorajada a prosseguir e que Jesus seja em tudo glorificado.

Oremos:

1. Pelos Isolados do Teles Pires no Mato Grosso (população incerta) e os Isolados do Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia (população incerta).

2. Pelos Issé no Amazonas (população incerta) e os Itogapuk no Mato Grosso e Rondônia (100 pessoas).

3. Pelos Jibóia no Amazonas (população incerta), Jiripancó em Alagoas e Pernambuco (2.050 pessoas) e Kaixana no Amazonas (505 pessoas).

4. Pelos Kalabaça no Ceará (229 pessoas), Kamba no Mato Grosso do Sul (2.100 pessoas) e Kantaruré na Bahia (493 pessoas).

5. Pelos Karapotó em Alagoas (2.189 pessoas), Kariri na Bahia, Ceará e Pernambuco (1.612 pessoas) e Karuazu em Alagoas e Pernambuco (1.065 pessoas).

DIA 24 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Katiana aos Maitapú

O Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (DAI-AMTB) colabora com as agências e iniciativas missionárias evangélicas entre os indígenas, trabalhando em parceria com o Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI) e outras associações.

Devemos orar para que o Senhor fortaleça o DAI-AMTB, dando direção clara em cada projeto de pesquisa, comunhão entre as agências e mobilização da Igreja brasileira. Que através do seu site (www.indigena.org.br) e todo o material produzido muitos novos missionários se levantem para as mais diversas áreas e agências em nosso país.

Oremos para que o Senhor continue dando boa comunhão e trabalho conjunto entre as agências missionárias e denominações evangélicas que atuam entre os indígenas em nosso país.

Continuemos intercedendo pelos 121 pouco ou não evangelizados no Brasil.

Oremos:

1. Pelos Katiana no Amazonas (população incerta) e Katukina do Rio Biá no Amazonas (450 pessoas).

2. Pelos Kaxixó em Minas Gerais (304 pessoas) e Kayura no Pará (população incerta).

3. Pelos Kokuiregatejê no Maranhão (população incerta), Kokuryana no Pará (população incerta) e Kontakiro no Amazonas (população incerta).

4. Pelos Kontanawa no Acre (250 pessoas), Kraptê no Pará (população incerta) e Krejê no Maranhão (30 pessoas).

5. Pelos Kueretu no Amazonas (população incerta), Kujubim em Rondônia (55 pessoas) e Maitapú no Pará (população incerta).

DIA 25 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Makuna aos Nereyó

Devemos interceder pelos centros de treinamento missionário em nosso país, bem como pelas igrejas enviadoras, para que o Senhor possa prover aos novos missionários uma boa educação teológica, missiológica, linguística e antropológica.

Intercedamos para que os períodos de treinamento e envio sejam especiais na vida de cada missionário, para que caminhe na vida com Deus e busque o caráter de Cristo.

Oremos também por cada processo de encontro de culturas entre missionários e indígenas que há de acontecer nos próximos anos, para que o Senhor dirija os momentos, os passos e que tudo contribua para bons e saudáveis relacionamentos, para o testemunho de Cristo.

Oremos:

1. Pelos Makuna no Amazonas (696 pessoas) e os Mandawaka no Amazonas (24 pessoas).

2. Pelos Maopityán no Pará (população incerta) e Matipu no Mato Grosso (119 pessoas).

3. Pelos Miarrã no Mato Grosso (população incerta), Mihua no Maranhão (população incerta) e Miriti no Amazonas (120 pessoas).

4. Pelos Morerebi no Amazonas (100 pessoas), Muru no Acre (população incerta), Mynky no Mato Grosso (356 pessoas) e Nadëb do Rio Negro no Amazonas (275 pessoas).

5. Pelos Natu em Sergipe (população incerta), Naua no Acre (422 pessoas) e Nereyó no Pará (população incerta).

DIA 26 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Nokiari aos Paumelenho

As etnias indígenas brasileiras relacionam-se cada vez mais com um amplo leque de segmentos sociais e organizacionais da cultura envolvente, como os representantes da FUNAI, agentes de ONGs, comerciantes, linguistas, antropólogos, religiosos e assim por diante. É necessário orarmos para que os povos indígenas do Brasil possam desenvolver bons mecanismos de relacionamento, a fim de obterem aquilo que desejam e não se perderem em sua identidade como grupo.

Também as políticas públicas brasileiras, especialmente as de índole assistencialista, muitas vezes funcionam como mecanismos de atração do indígena para fora do seu território tradicional e aproximação às pequenas e grandes cidades onde receberá auxílio mensal, assistência de saúde e educação, entre outras coisas.

Quando as relações entre indígenas e outros segmentos externos se manifestam de forma desequilibrada produzem, frequentemente, perdas humanas e sociais duradouras no grupo. Devemos orar para que o Senhor preserve os povos indígenas do Brasil dos contatos e relações nocivas e exploratórias.

Oremos:

1. Pelos Nokiari no Amazonas (população incerta) e Nukini no Acre (697 pessoas).

2. Pelos Numbiai no Mato Grosso (população incerta) e Paiaku no Ceará (220 pessoas).

3. Pelos Paiaku no Ceará (220 pessoas), Paikdai no Amazonas (população incerta) e Panará no Mato Grosso e Pará (400 pessoas).

4. Pelos Pankará em Pernambuco (2.702 pessoas), Pankaru na Bahia (179 pessoas) e Pantamona em Roraima (5.608 pessoas).

5. Pelos Papavô no Acre (200 pessoas), Paranawat em Rondônia (100 pessoas) e Paumelenho em Roraima (população incerta).

DIA 27 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Pipipã aos Turiwara

Oremos pelo governo brasileiro, pela FUNAI, Forças Armadas, Polícia Federal e IBAMA. Por relacionamentos positivos, boa comunicação e entendimento com os povos indígenas do Brasil.

Oremos por cada iniciativa do governo brasileiro junto aos povos indígenas, para que as propostas que sejam positivas para o país e para os indígenas possam ser encaminhadas e implementadas.

Oremos por sabedoria dos governantes nas decisões, sobretudo aquelas que regulam os territórios indígenas e as relações entre indígenas e não indígenas.

Oremos:

1. Pelos Pipipã em Pernambuco (1.640 pessoas) e Puti no Amazonas (população incerta).

2. Pelos Sakiriabar em Rondônia (103 pessoas), Salumá no Pará (300 pessoas) e Suruwahá no Amazonas (200 pessoas).

3. Pelos Tapayuna no Mato Grosso (63 pessoas), Tingui-Botó em Alagoas (350 pessoas) e Tovajara no Maranhão (população incerta).

4. Pelos Truká na Bahia e Pernambuco (4.169 pessoas), Trumai no Mato Grosso (198 pessoas e Tukumanfed em Rondônia (população incerta).

5. Pelos Tumbalalá na Bahia (1.469 pessoas), Tupinambá na Bahia e Pará (4.741 pessoas) e Turiwara no Pará (60 pessoas).

DIA 28 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Uraparaquara aos Xambioá

Devemos louvar a Deus por Sua presença e boa mão à frente de cada passo missionário em solo brasileiro. Louvar ao Senhor pela Sua bondade, por despertar cada igreja enviadora, abençoar cada centro de formação missionária, sustentar cada missionário, fazer nascerem novas igrejas indígenas e lideranças indígenas nacionais. Deus é bom.

Devemos louvar ao Senhor pelos veteranos e pioneiros que vieram antes de nós, muitos de outros países. Oremos pelos que continuam empenhados na luta e por aqueles novos que chegam, ou ainda chegarão.

Devemos louvar ao Senhor por cada indígena que ouviu falar de Jesus e por todos aqueles que ouvirão em breve.

Devemos louvar ao Senhor por Sua graça que é melhor que a vida e pela oportunidade que temos, como Igreja, de sermos úteis em Suas mãos no partilhar do evangelho de Cristo entre os indígenas do nosso país.

Oremos:

1. Pelos Uraparaquara (população incerta) e Uru-Pa-In (200 pessoas), ambos em Rondônia.

2. Pelos Waharibo no Amazonas (população incerta) e Waimiri-Atroari no Amazonas e Roraima (1.120 pessoas).

3. Pelos Wakoná em Alagoas (900 pessoas) e Warikyana no Pará (população incerta).

4. Pelos Wassu em Alagoas (2.061 pessoas) e Wokarangma no Pará (31 pessoas).

5. Pelos Woreyana no Pará (população incerta) e Xambioá no Pará e Tocantins (250 pessoas).

DIA 29 – Oremos pelos Pouco ou Não Evangelizados – Xetá aos Zo’é

Ainda oramos pelas 121 etnias pouco ou não evangelizadas. Há em nosso país claros casos de discriminação das ações missionárias evangélicas. Um deles se ambienta entre a etnia indígena Zo’é onde uma missão evangélica foi tolhida de sua permanência, mesmo que em detrimento do desejo do grupo indígena e das competentes ações no estudo da língua e da cultura. O outro caso se dá entre os Suruwahá onde, a despeito do relevante trabalho missionário e desejo do grupo, há restrições de sua presença em meio ao povo.

Tais situações tornam-se mais e mais frequentes no movimento evangélico missionário entre indígenas e devemos orar por portas abertas e um tratamento justo por parte do Estado brasileiro, bem como de outras Organizações Não Governamentais.

Sabemos, porém, que a fé cristã, ao longo dos séculos, se expande entre barreiras e obstáculos. Devemos orar para que o Senhor mantenha abertas as portas para o trabalho que já caminha entre os indígenas, abra portas novas e fortaleça os missionários que vivem sob perseguição. Por um bom relacionamento dos agentes missionários com o Estado e as ONGs em cada região.

Devemos interceder por liberdade e portas abertas entre todos os povos, mas façamos hoje, de forma especial, pelos povos Suruwahá e Zo’é.

Oremos:

1. Pelos Xetá no Paraná, Santa Catarina e São Paulo (86 pessoas) e Xocó em Alagoas e Sergipe (380 pessoas).

2. Pelos Xukuru-Kariri em Alagoas, Bahia e Minas Gerais (2.950 pessoas) e Yabaana no Amazonas (90 pessoas).

3. Pelos Yakarawakta no Mato Grosso (30 pessoas) e etnias Yanomami (Sanumá, Xamatari, Ninam e Ajarani) no Amazonas e Roraima (16.000 pessoas)

4. Pelos Yaruma no Mato Grosso (população incerta), Yuhupdeh no Amazonas (1000 pessoas) e Yawalapiti no Mato Grosso (233 pessoas).

5. Pelos Yurupari-Tapuia no Amazonas (população incerta) e Zo’é no Pará (421 pessoas).

DIA 30 – Oremos pela Tarefa Inacabada

Oremos pela tarefa ainda inacabada. Só o Senhor de fato a conhece, sua dimensão e todas as suas implicações. Oremos para que Ele mesmo desperte em nós o desejo de obediência.

Oremos para que o Senhor levante, nestes próximos anos, 500 novos missionários em nosso meio para o trabalho indígena no Brasil.

Oremos para que o Senhor desperte a Igreja Indígena para sua vocação missionária em nosso país e além dele.

Oremos para que o Senhor abra os olhos do nosso coração para vermos o caminho certo a tomar, em cada passo.

Oremos para que a história das missões evangélicas entre os povos indígenas do Brasil seja marcada pela ação do Espírito Santo de Deus guiando cada iniciativa, dando o melhor rumo, atraindo para as áreas de maior necessidade, gerando ânimo sempre renovado, suprindo o necessitado e convertendo corações.

Oremos:

1. Para que o nome de Jesus seja glorificado nas ações entre os indígenas no Brasil. Pela conclusão da tarefa ainda inacabada.

2. Por obediência, fidelidade, perseverança e contentamento para a força missionária atuante entre os povos indígenas.

3. Por suprimento do Alto para cada ação, seja evangelizadora ou social.

4. Para que a Igreja Indígena torne-se mais e mais missionária, amadurecida na Palavra e com a visão do Reino que vai além de suas fronteiras.

5. Para que a Igreja brasileira e a Igreja Indígena se abençoem mutuamente, tenham santa comunhão e mútuo respeito na diversidade sociocultural e linguística.

Da universidade para a floresta: a necessidade do apoio técnico na missão entre indígenas do Brasil.

Rev. Norval, missionário tradutor da Bíblia da ALEM/APMT, ensinando histórias bíblicas.

André Filipe, Aefe!
conheça também:
http://www.alumi.org.br

Recentemente, o Departamento de Assuntos Indígenas (DAI) da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) publicou um relatório1 sobre as etnias indígenas brasileiras, revelando dados importantes para a missão da igreja nacional, lançando necessidades e desafios. Dentre os 7 desafios lançados pela equipe, o sétimo deve tocar fundo no coração do estudante universitário cristão, capacitado para servir a Deus com sua profissão; este desafio aponta para um modelo diferenciado de necessidade missionária, com uma direção diferente das encontradas normalmente em institutos bíblicos e seminários:
“Em diversas atividades missionárias há necessidade de apoio técnico especializado, essencial para a qualidade da produção. Podemos citar áreas como a linguística, antropologia, missiologia, pesquisa, desenvolvimento comunitário, ações sociais, consultoria jurírica, transporte, comunicação e logística. Sem um adequado fortalecimento no apoio especializado as ações missionárias entre os povos indígenas perderão força, qualidade e oportunidade (…) Tais iniciativas especializadas multiplicam as ações missionárias e são fundamentais para boa parte do trabalho realizado”2.
A pesquisa reconhece 616.000 indígenas vivendo em terrítório nacional (52% ainda vivem em aldeamentos), divididos em 340 etnias, e 181 línguas diferentes. O relatório ainda nos apresenta dados animadores a respeito da presença evangélica entre eles, mostrando que a igreja tem caminhando e feito a diferença: “a Igreja Indígena está em franco crescimento, o que se dá a partir das relações intertribais locais, atuação missionária com ênfase no discipulado e treinamento indígena e três fortes movimentos indígenas nacionais. A presença missionária coordena mais de duas centenas de programas e projetos sociais de relevância que minimizam o sofrimento em áreas críticas, sobretudo em educação e saúde, e valorizam a sociedade indígena local. O registro linguístico, associado à produção de material para letramento, é outro vigoroso fruto das iniciativas missionárias, que se envolvem especialmente com grupos à margem do cuidado e interesse da sociedade3”.
Atualmente, 182 destas etnias possuem presença missionária, sendo que 150 possuem Igreja Indígena, e apenas 17 não possuem pelo menos um programa social ativo. Os programas sociais coordenados por missionários evangélicos somam 257 programas sobretudo nas áreas de educação (análise linguística, registro, letramento, publicações locais e tradução), saúde (assistência básica, primeiros socorros e clínicas médicas), subsistência e sociocultural (valorização cultural, promoção da cidadania, mercado justo e inclusão social), em sua maioria “subsidiados por igrejas, empresas e representantes evangélicos no Brasil4”. A conclusão é animadora: “a presença missionária está, histórica e tradicionalmente, sempre associada a iniciativas sociais e culturais, especialmente àquelas com forte valor para o povo local4”, isso porque acreditamos que “o evangelho não apenas responde aos questionamentos da alma humana, como também contribui para a sobrevivência individual, social, cultural e linguística dos povos indígenas no Brasil5”.
Apesar de todo o esforço de igrejas, ministérios e missionários, ainda há pelo menos 190 etnias sem qualquer presença missionária: “chama a nossa atenção o alto número de etnias sem conhecimento do Evangelho em áreas relativamente abertas e sem iniciativas evangélicas e missionárias6”.  Além do mais, 69 línguas não possuem a Bíblia traduzida,  10 com clara necessidade de tradução e 28 com necessidade de projetos especiais de oralidade. Sem contar que o esforço de diminuir a pobreza bíblica envolve trabalhos não só de descrição linguística e tradução, mas também, concomitantemente, projetos de educação em língua materna, valorização cultural etc.
O desafio é enorme, um grande passo a ser dado por cada um de nós: “levando em consideração as ações especializadas bem como o trabalho administrativo, logístico e pastoral que tanto precedem quanto acompanham tais iniciativas, asseguradamente seriam necessárias no mínimo 500 novas unidades missionárias para fazer frente ao presente desafio total6”.
Toda esta necessidade tem como alvo não o enriquecimento de qualquer empresa, nem pode ser mensurada apenas por seus resultados sociais e de diminuição do sofrimento humano, mas a frota missionária tem cooperado para a promoção do conhecimento da Glória de Deus entre os indígenas no Brasil. Desafio você que está fazendo uma universidade ou curso técnico, ou que ainda está prestando vestibular, a considerar seriamente fazer parte de uma das 500 novas unidades missionárias que hoje rogamos a Deus. É possível que sua área não tenha sido citada aqui, justamente porque talvez só você possa saber como sua especialidade pode ser importante no campo missionário: desafio você a descobrir isso.
Se você caminha para o fim de seu curso, e Deus tem falado fortemente com você a respeito da vocação missionária, procure mais informações, entre em contato com uma agência missionária e converse com o pastor de sua igreja. O desafio lançado pode ser um avanço decisivo para alcançar o que falta da tarefa de evangelização nacional entre os indígenas, talvez porque pessoas como eu e você resolveram responder ao chamado de Deus.
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1Você pode baixar o relatório completo no site: http://www.indigena.org.br
2LIDÓRIO, Ronaldo (org). Indígenas do Brasil: etnias indígenas brasileiras, relatório 2010. (DAI-AMTB), 2010, pág. 16.
3Idem, pág. 03.
4Idem, pág. 08.
5Idem, pág. 12.
6Idem, pág. 15.

Visão 2025 | O último grande surto de novas traduções da Bíblia

link: http://www.missaoalem.org.br/visao2025/

O plano é arrojado demais, difícil demais, dispendioso demais, urgente demais, bonito demais e acertado demais. Puxa! Que plano é esse? É o plano de pelo menos iniciar um programa para a tradução da Bíblia em todas as línguas que ainda não a possuem  até o ano 2025.

Elaborado pelos mais competentes lingüistas, antropólogos e missiólogos comprometidos com a ordem de evangelizar o mundo todo, o plano foi lançado em novembro de 2001 pela organização Tradutores da Bíblia Wycliffe Internacional (WBTI, em inglês).
O projeto conta com a adesão de várias organizações missionárias ao redor do mundo que já trabalham com a tradução da Bíblia para línguas nativas, inclusive com a brasileiríssima ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária), com sede em Brasília. E espera obter o apoio de todas as denominações evangélicas de todos os continentes. Será um esforço realmente global. Além de recursos financeiros, o projeto dependerá de uma grande quantidade de novos missionários lingüistas.

Cartago e Alexandria
O missiólogo Wenceslao Calvo, da PROEL (Promotora Espanhola de Lingüística), tem um argumento muito forte a favor da intensificação do ministério de traduzir a Bíblia. É de ordem histórica. Lembra que, do segundo ao quinto século, a presença cristã no Norte da África era notável. Dali surgiram homens como Tertuliano, Cipriano, Agostinho, Orígenes, Atanásio e Cirilo. Em  Alexandria havia uma das maiores escolas teológicas dos primeiros séculos. A partir das invasões árabes, porém, a Igreja foi se enfraquecendo até quase morrer por completo. Hoje, todos os países acima do Saara, do oceano Atlântico ao mar Vermelho, exceto o Egito, são 100% muçulmanos. O que se encontra ali são nada mais do que vestígios do cristianismo. Embora o islamismo seja muito forte também no Egito, a situação desse país é bem menos sombria. A razão é que a Igreja da antiga Cartago, na atual Tunísia, era de opinião que os convertidos tinham a obrigação de aprender o grego e o latim para se tornarem cristãos.
Enquanto isso, a Igreja da antiga cidade de Alexandria, no Egito, providenciou a tradução das Escrituras na língua copta, logo no final do segundo século. Na região onde hoje se encontram Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia, sob a influência de Cartago, os cristãos não tinham a Bíblia em sua própria língua, o que não aconteceu no Egito, sob a influência de Alexandria. Além de dificultar em muito a evangelização, a ausência das Escrituras nas línguas nativas facilita a superficialidade religiosa e a penetração do paganismo e de seitas. Outro malefício é que os cristãos são impelidos a buscar símbolos religiosos em demasia (quadros e imagens), o que facilmente deteriora a fé original.

Processo histórico
A Visão 2025, nome oficial do atual esforço em favor da tradução da Bíblia para 3.000 línguas desprovidas da Palavra de Deus, não é um fato isolado. As duas mais notáveis e antigas traduções da Bíblia são as chamadas “Sep-tuaginta” e “Vulgata”. A primeira, para o grego,  teria sido feita por 70 estudiosos judeus em Alexandria, a pedido do rei Ptolomeu, do Egito. Os cinco primeiros livros da Bíblia foram colocados em circulação em 250 a.C. Talvez tenha sido a mais demorada versão bíblica, pois o trabalho só terminou ao longo dos 200 anos seguintes. A segunda, para o latim, foi feita por Jerônimo (347-420), a pedido do papa Dâmaso, e veio a lume em 404 d.C. Tornou-se a Bíblia oficial da Igreja católica a partir do Concílio de Trento (1545-1563).
Entre a Bíblia Latina de Jerônimo (347-420) e a Bíblia Inglesa de João Wycliffe (1330-1384) passaram-se dez séculos. Foi nessa ocasião que surgiu um novo surto de traduções das Sagradas Escrituras.
Para Wycliffe, conhecido como a Estrela d’Alva da Reforma, a Palavra de Deus era o único padrão de fé e a única fonte de autoridade. O reformador alemão Martinho Lutero, que nasceu 100 anos depois de Wycliffe, também reconhecia a autoridade da Bíblia e a necessidade de colocá-la nas mãos do povo. Por esta razão, traduziu as Escrituras para o alemão e colocou em circulação perto de 100.000 cópias, um êxito editorial extraordinário para a época. Nesse período, outras línguas européias foram agraciadas com a tradução da Bíblia em vernáculo.
O surto seguinte se deu no início do século 19, junto com o despertamento da consciência missionária a partir de William Carey (1761-1834), que promoveu a tradução das Escrituras para 45 línguas e dialetos da Índia e de outras partes da Ásia, das quais 35 nada tinham até então. Foi nessa ocasião que nasceram as diversas sociedades bíblicas, a começar com a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (1804) e a Sociedade Bíblica Americana (1816). Essas sociedades produziram centenas de traduções das Escrituras e as colocaram em circulação.
Novo surto iniciou 113 anos depois da organização da primeira sociedade bíblica. O instrumento usado por Deus foi o colportor americano William Cameron Townsend (1896-1982), que foi tremendamente impactado na Guatemala, em 1917, com a idade de 21 anos. Ao oferecer uma Bíblia em espanhol a um indígena cakchiquel, este esbravejou: “Se o seu Deus é tão inteligente, por que Ele não fala a minha língua?” Townsend então enxergou e abraçou entusiasticamente o desafio de traduzir as Escrituras para as línguas nativas. Em 1929, 11 anos depois daquele choque, Towsend completou a tradução do Novo Testamento na língua cakchiquel. Mas não parou aí: em 1934 fundou aquilo que é hoje a maior organização missionária protestante de todo o mundo e talvez de todos os tempos: a Wycliffe Bible Translators (Tradutores da Bíblia Wycliffe) e seu irmão gêmeo, o Summer Institute of Linguistics (Instituto Lingüístico de Verão). O nome Wycliffe é uma homenagem a João Wycliffe, já mencionado.
Hoje a Wycliffe tem mais de 5.300 missionários de 60 diferentes nacionalidades que estão envolvidos com a tradução da Bíblia em mais de 70 países. Apesar da complexidade do trabalho, a cada 10 dias esses missionários lingüistas completam a tradução do Novo Testamento para uma língua. Em 1995, eles fizeram a dedicação do 400º Novo Testamento para uma das 800 línguas da Papua-Nova Guiné
O último surto. Não faz muito tempo o missionário hispânico Moisés Lopes visitou uma Igreja da tribo indígena mazahua no norte do México. A Igreja estava cheia. Todos falavam a língua nativa e dispunham de um Novo Testamento nessa língua. Não obstante, o pregador falou em espanhol e o líder do louvor, um nativo, dirigiu cânticos em espanhol. Só os avisos, no final do culto, foram dados na língua do povo. Acabada a reunião, Moisés perguntou ao pastor por que apenas os avisos foram em mazahua. Obteve a seguinte resposta: “É para a congregação entender”. Ora, se os crentes entendiam mal o espanhol, por que a leitura da Bíblia, o sermão e os cânticos não foram na língua nativa?
A diferença entre ler a Palavra de Deus na própria língua e ler em outra língua mesmo pouco ou muito conhecida, é explicada pelo pastor Pedro Samua, da tribo tzutujil, da Guatemala: “Uma coisa é molhar o pé na água do lago; outra é pular dentro dele e nadar à vontade. Assim é a leitura da Bíblia na minha língua e em espanhol. Quando leio em espanhol, eu apenas molho meus pés na graça de Deus. Quando leio em tzutujil, eu mergulho na Palavra e sou refrescado por ela.“
Um dos oradores da conferência Amsterdam 2000, Dela Adalevoh, declarou: “Onde não existe Escritura na língua do povo, a Igreja não cresce”.
O filósofo alemão Immanuel Kant, que morreu no ano em que foi organizada a Sociedade Bíblica Britânica (1804), escreveu que “a existência da Bíblia como livro para o povo é o maior benefício que a raça humana jamais recebeu. Todo intento de diminuir a sua importância é crime contra a humanidade”.
Por todas essas razões, o último grande surto de novas traduções das Escrituras Sagradas, conhecido pelo nome Visão 2025, é um plano arrojado demais, urgente demais, bonito demais e acertado demais. Merece todo o apoio de toda a Igreja sobre a face da terra!
Desafio mundial
Diz-se que os 6,1 bilhões de habitantes do planeta falam 7.148 línguas. A  Bíblia completa já foi traduzida para 366 línguas (cerca de 5,4% do total acima). O Novo Testamento já foi traduzido para 1.012 línguas (cerca de 15%). Pelo menos um livro da Bíblia já foi traduzido para outras 883 línguas (cerca de 13%). A soma desses três números revela que 2.261 línguas têm pelo menos uma porção das Escrituras traduzida (cerca de 33,6%).
Estima-se que há mais de  3.000 línguas com óbvia necessidade de tradução bíblica (44% das 7.148 línguas faladas hoje). A população que fala uma língua sem nenhum livro da Bíblia traduzido é de aproximadamente 250 milhões de pessoas (pouco mais de 4% dos 6,3 bilhões de habitantes).
A maior parte desses 3.000 grupos étnicos desprovidos da Palavra de Deus está na Ásia, especialmente na Índia, China, Nepal e Bangladesh. São 1.200 línguas. Depois vem a África Ocidental, a metade nos países que foram colonizados pela França e a outra metade na Nigéria. São pelo menos 1.000 línguas. Em terceiro lugar, vêm as ilhas do Pacífico, especialmente em Papua-Nova Guiné e na Indonésia. São 600 línguas. Por último vem o Oriente Médio, cuja religião predominante é o islamismo. São 150 línguas.
Papua-Nova Guiné é um caso muito especial. Embora a língua oficial desse país da Oceania seja o inglês (por causa da colonização britânica), ali se falam mais de 800 línguas. Trata-se de uma nação pequena em área (menor que a Bahia) e em população (1 milhão a menos que a população da cidade do Rio de Janeiro). Não obstante a tremenda confusão lingüística, Papua-Nova Guiné, bem ao norte da Austrália, é um dos países de maior porcentagem de cristãos: 33% de católicos e 65% de protestantes (98% ao todo).
No presente momento, os tradutores da Bíblia estão trabalhando com 1.500 traduções ao redor do globo. Se o ritmo presente for mantido, a tradução da Bíblia para as outras 3.000 línguas estará em processo somente no ano 2150! A Visão 2025 tem por objetivo reduzir esse tempo em pelo menos 125 anos. Assim, até o ano 2025, todas os povos que ainda não têm a Bíblia em sua língua terão pelo menos algumas traduções iniciadas na língua que lhes fala ao coração.
—  Wycliffe e SIL”

O verbo na alma da selva

Como (e por que) viver 25 anos isolado em aldeias, e preservar línguas em risco de extinção

por Branca Vianna |publicado originalmente da Revista Piauí, extraído de: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-4/questoes-linguisticas/o-verbo-na-alma-da-selva/ em 18/01/11

Para ir à aldeia do Roçado, toma-se um bimotor da Trip Linhas Aéreas no terminal de vôos regionais do Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. O guichê da companhia parece uma barraquinha de quermesse e o ambiente é mais de rodoviária do que de aeroporto. Muitos passageiros embarcam num avião pela primeira vez. Depois de sobrevoar a floresta por duas horas, percorrendo 630 quilômetros, chega-se a Santa Isabel do Rio Negro, cidadezinha de 10 mil habitantes perto da fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela.
Santa Isabel ainda não tem celular nem internet. Há muito comércio miúdo, todo mundo vendendo os mesmos alimentos, produtos de limpeza, chapéus de palha e os mesmos bonés. O desemprego é o grande problema da cidade: atinge 60% da população. Dos que têm emprego, a maioria trabalha na prefeitura. Há também vários botequins, muitos vira-latas, um hotel, o Maykon, e um restaurante, o da dona Lica.
A pessoa que se deve procurar em Santa Isabel é José Oliveira Aguiar, que atende por Zé da Mara, sua mulher, professora da escola municipal, Zé da Prefeitura, onde trabalha como motorista, e Zé do Açougue, estabelecimento que mantém em casa e no qual oferece poucas carnes, muitos biscoitos e muita tubaína. Zé também é o dono da voadeira, o barco de alumínio de 5 metros de comprimento que se toma para ir ao Roçado.
Um barco comum levaria três dias para fazer o trajeto de 280 quilômetros. De voadeira, são oito horas de viagem. Segue-se pelo rio Uneiuxi, sem passar por nenhuma cidade, aldeia ou sítio. Só há floresta. Numa dobra do rio, enfim se avista gente: no alto de um barranco de terra avermelhada estão quase todos os 150 índios da tribo nadëb. São os remanescentes de uma tribo bem maior, de cerca de 1.500 índios, dizimada ao longo do século passado por guerras com outros grupos indígenas, contato com os brancos e epidemias. A última grande epidemia, de sarampo, ocorreu na década de 60; deixou noventa sobreviventes.
O primeiro contato mais regular entre os nadëb e os brancos teve início nos anos 50, com os regatões, mercadores que percorriam os rios vendendo e trocando produtos. Os regatões trocavam a sorva extraída pelos índios por sal, anzóis, facas e, principalmente, cachaça. A sorva é um fruto da floresta amazônica cujo látex era usado na fabricação de goma de mascar e bolas de beisebol. Logo após a grande epidemia de sarampo, um americano conhecido só pelo primeiro nome, Bill, se apiedou dos últimos noventa nadëb, que apareciam sempre bêbados, doentes, pedindo esmola pelas cidades. Deu a eles uma terra de sua propriedade no rio Uneiuxi, conhecida como Roçado do Bill ou aldeia do Roçado. Hoje os nadëb têm uma reserva demarcada pela FUNAI.
As estimativas variam, mas imagina-se que, em 1500, na região amazônica, havia entre 2 milhões e 5 milhões de índios e mais de 1.200 línguas diferentes. A população indígena atual não passa de 400 mil pessoas. Das 180 línguas indígenas ainda faladas no Brasil, 115 têm menos de mil falantes. Apenas quatro são faladas por mais de 10 mil pessoas e nenhuma delas tem mais de 20 mil falantes.
O nadëb, da família lingüística maku, é falado quase exclusivamente pelos 150 moradores do Roçado. A única outra aldeia nadëb, no rio Japurá, tem 200 moradores que estão perdendo a língua nativa. Entre eles, o português já é o idioma dominante. O termo maku também é usado de forma pejorativa pela população ribeirinha para designar diversos grupos indígenas, entre os quais os nadëb. Os maku sofrem discriminação também por parte dos outros índios do Alto Rio Negro, que os consideram primitivos, ou “índios bravos”. Por serem considerados inferiores, não participam da rede de casamentos entre os índios da região. Os membros da aldeia do Roçado se casam somente entre si ou com seus parentes do Japurá.
No Roçado, além dos 150 índios, vivem dois brancos. Beatrice Senn é alta, tem cabelos cheios, pretos e lisos. No calor da Amazônia, usa sempre short, camiseta e sandália havaiana. Sua pele muito clara resiste bem ao sol tropical, embora ela não passe filtro solar. Não gosta da sensação melada dos protetores. Pelo mesmo motivo, também não usa repelentes contra insetos. Diz que já se acostumou com os mosquitos da região. Beatrice tem 43 anos e nasceu na Suíça, em Berna. Seu marido, Rodolfo, é argentino da província de Misiones. É neto de suíço-alemães que migraram para a Argentina antes da II Guerra Mundial. Com 45 anos, tem os cabelos espessos precocemente grisalhos, olhos azuis e pele também muito clara.
Os Senn vivem no Roçado há dez anos. Moram numa casa de madeira com teto de palha, sem luz e sem água corrente, construída pelos índios com a ajuda de Rodolfo, que, além de engenheiro mecânico, é carpinteiro. Foi ele quem ensinou os nadëb a cortar tábuas. É de tábuas que hoje são feitas quase todas as casas da aldeia. Antes, eram de galhos ou casca de árvores. Rodolfo tem artrose, doença degenerativa das articulações. Locomove-se pela aldeia de bicicleta porque tem dificuldade de andar distâncias maiores. Embora tome antiinflamatório todos os dias, às vezes a dor é tanta que ele precisa de uma injeção local de cortisona. Em Santa Isabel, não há quem aplique a injeção. É preciso ir a Porto Velho ou Manaus. “Dói muito, mas o hospital fica tão longe que o melhor é deitar na rede uns dias e esperar a dor passar. Por enquanto”, ele diz, “ainda consigo descer o barranco para buscar água no rio, mas logo a Beatrice vai ter que me substituir na tarefa.” Beatrice afirma que o exercício será bem-vindo. Ela gosta de correr para manter a forma, mas no meio da floresta é difícil. Como alternativa, nada no rio Uneiuxi, onde a correnteza é suave.
A casa dos Senn tem dois quartos, uma cozinha que serve também de sala de jantar e, entre os quartos e a cozinha, uma espécie de alpendre com uma rede sempre pendurada. A cozinha e o alpendre são abertos, para que todos possam ver o que se passa dentro da casa. Somente os quartos são fechados com portas. Os índios usam a rede do alpendre quando bem entendem. Alguns vêm todos os dias, por volta das 7 da manhã, para tomar um cafezinho e conversar um pouco. Os nadëb têm o hábito de visitar uns aos outros de manhã e a casa do casal faz parte do roteiro. São sempre os mesmos que aparecem: Pedro Borracha, o índio mais velho da aldeia, uma senhora bem velhinha sem um único dente na boca, um rapaz com ar meio aparvalhado, o cacique Joaquim e algumas crianças. Só o cacique fala português.
O casal tem três filhos: uma garota de 17 anos e dois rapazes, de 15 e 19. Os três foram criados entre índios. Ao completar 13 anos, partiram para estudar num colégio interno, a uma hora de voadeira de Manaus. É uma escola americana, na beira de um rio, que não tem luz elétrica e o gerador é desligado às 9 da noite. Os filhos dos Senn gostam da escola, dos nadëb e da aldeia, onde passam as férias. Sabem caçar, pescar, remar e manejar a voadeira. O mais velho, que já freqüenta uma universidade no Wisconsin, quer morar na Amazônia quando se formar, talvez trabalhando com índios. Teve grande dificuldade em se adaptar à vida nos Estados Unidos. Os irmãos falam inglês entre si e com os pais; falam nadëb fluentemente; espanhol e português, mal. Rodolfo e Beatrice também falam nadëb muito bem, além de português, espanhol, alemão e inglês, língua que usam entre si.
Os Senn dispõem de dois painéis solares que alimentam uma bateria de 12 volts, suficiente para uma lâmpada, e outra, mais potente, para a bateria de dois laptops. Como a casa não tem água corrente, o banho é no rio Uneiuxi, de manhã e no fim do dia, de roupa, com xampu e sabonete. O banheiro é uma cabana nos fundos da casa com um buraco no chão. Ao lado do papel higiênico, há sempre uma lata de inseticida. Os Senn dormem em redes e bebem a água do rio, filtrada. Pai e mãe já tiveram malária.
Rodolfo e Beatrice Senn são lingüistas da Sociedade Internacional de Lingüística, ou Summer Institute of Linguistics, com sede em Dallas, no Texas, e mais conhecida como SIL. Há mais de 5.000 membros da sociedade distribuídos por setenta países, estudando 1.800 línguas faladas por 1,2 bilhão de pessoas. A SIL está presente onde houver línguas ágrafas e povos que não conhecem a Bíblia. O objetivo da entidade é traduzir o Novo Testamento; sua ferramenta é a lingüística. A SIL foi criada por Cameron Townsend, um vendedor de Bíblias americano que, em 1919, numa viagem à Guatemala, se deu conta de que os guatemaltecos a quem tentava vender a mercadoria não sabiam falar espanhol, e muito menos ler. Em 1934, criou a sociedade. Townsend morreu em 1982.
A SIL não funda igrejas nem faz pregações. Seus membros são todos leigos. Quem quiser trabalhar como pastor é obrigado a se desligar da sociedade. A organização é cristã, evangélica e multidenominacional – segundo seus membros, todas as igrejas são bem-vindas. A maioria dos associados pertence às correntes históricas do protestantismo: batista, anglicana, metodista, luterana, presbiteriana. Rodolfo e Beatrice Senn são evangélicos que não pertencem a nenhuma igreja específica. Freqüentam a que estiver mais perto.
Os lingüistas da SIL são conhecidos no meio universitário, publicam seus trabalhos em periódicos e editoras acadêmicas de prestígio e colaboram com centros de pesquisas do mundo inteiro. Alguns pertencem à elite dos profissionais da área. O livro As Línguas Amazônicas, editado pela Universidade de Cambridge e referência no assunto, inclui seis lingüistas da SIL entre os doze autores. Também a Enciclopédia Internacional de Lingüística, da Universidade de Oxford, conta com vários membros da sociedade entre os colaboradores. No entanto, apesar da excelência acadêmica, eles não se vêem primordialmente como cientistas. Consideram que seu objetivo é, antes de tudo, espiritual.
A SIL chegou ao Brasil em 1956, a convite do antropólogo Darcy Ribeiro, para colaborar com pesquisas do Museu Nacional. Segundo registrou a antropóloga Artionka Capiberibe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a instituição brasileira estabeleceu o convênio com a SIL “por julgar ser um meio apropriado de ter e manter o conhecimento sobre as centenas de línguas faladas pelos povos indígenas e profundamente desconhecidas até então. A figura do último falante foi um elemento central para assegurar a legitimidade e a permanência da missão no país”.
É comum a existência de um “último falante” nas línguas minoritárias. Quando uma comunidade indígena se torna bilíngüe, adotando, por exemplo, o português, os jovens são os primeiros a incorporar a segunda língua e, depois, passam a usá-la com os filhos. Apenas os mais velhos, em geral menos afeitos a mudanças, guardam memória da língua nativa e a usam no dia-a-dia. Ela vai se perdendo à medida que morrem os membros mais velhos da comunidade. Finalmente, restará um único falante que ainda se lembra da língua original, mas já não tem com quem falar.
O estudo de qualquer língua particular enriquece o conhecimento da linguagem humana como um todo, que é o objetivo final da lingüística. O desaparecimento de uma língua pode ser comparado à destruição de um último e único sítio arqueológico de um povo desconhecido. A informação se perde para sempre.
Na década de 50, não havia lingüistas brasileiros qualificados para fazer levantamento e análise de línguas indígenas. A SIL, por outro lado, dispunha não só de lingüistas treinados e experientes, mas de metodologia comprovada no trabalho com línguas indígenas, principalmente no México, país em que Darcy Ribeiro conhecera a sociedade. Na sua autobiografia, Confissões, ele relata: “Eu me interessei pelo instituto porque, tendo convivido muito com os índios, sofria vendo que muitos povos estão ameaçados de desaparecimento e quase nenhum tem sido bem estudado lingüisticamente ou tem sua língua bem escrita. Facilitei o ingresso do instituto no Brasil, a fim de que realizassem seu trabalho. O objetivo [da SIL] era tornar factível a tradução da Bíblia. Meu objetivo era salvar para os lingüistas do futuro, que provavelmente saberão estudá-las, as línguas como cristalizações do espírito humano, para aprendermos mais sobre os homens”.
A primeira sede da SIL no Brasil foi instalada no próprio Museu Nacional, na Quinta da Boavista, onde Joaquim Mattoso Câmara, um dos fundadores da moderna lingüística brasileira, criaria, em 1961, o Setor de Lingüística. Desse departamento sairia a primeira geração da lingüística indígena nacional, fortemente influenciada pelos trabalhos e metodologias da SIL. A professora Yonne Leite, do Museu Nacional, escreve num artigo que o relacionamento entre a SIL e Mattoso Câmara “transcorreu de modo muito tranqüilo. A união foi um sucesso”. Um dos mais importantes lingüistas da SIL e primeiro presidente da entidade, Kenneth Pike “fez conferências nas quais mostrava a excelência de sua metodologia, colhendo dados de uma língua ágrafa e oferecendo à platéia encantada, em uma hora, uma análise preliminar de sua fonologia, morfologia e sintaxe”. Em 1962, Darcy Ribeiro fundaria a Universidade de Brasília. Como primeiro reitor, firmou com a SIL um acordo semelhante ao que já existia no Rio de Janeiro.
A cooperação entre SIL, academia e governo durou trinta anos. Hoje não há qualquer ligação entre lingüistas missionários e acadêmicos no Brasil. O vínculo com a FUNAI também é precário. O convênio, assinado em 1968, foi cancelado em 1977. Hoje a presença de missionários nas aldeias depende fundamentalmente do relacionamento direto entre o missionário e o chefe do posto local da FUNAI.
Em 1971, a Universidade de Berna e o Conselho Mundial de Igrejas, organização ecumênica sediada na Suíça, organizaram uma conferência em Barbados, no Caribe, para discutir a situação dos povos indígenas na América Latina. Do encontro resultaria uma declaração assinada por alguns intelectuais latino-americanos – entre eles, Darcy Ribeiro. O documento afirmava o direito dos povos nativos à autodeterminação, condenava a atitude dos governos da região e o etnocentrismo das missões evangélicas. Em tempos de forte antiamericanismo, a Declaração de Barbados representou o início de um movimento antimissionário em toda a América Latina. No Brasil, os lingüistas da SIL continuariam a trabalhar com pesquisadores universitários até meados dos anos 80, mas de forma esporádica e sem acordos oficiais como o firmado com o Museu Nacional e a UnB.
A SIL e outras missões foram acusadas de espionagem e exploração ilegal de recursos minerais. Darcy Ribeiro resumiu assim as denúncias: “As esquerdas, em sua estupidez habitual, acham que os missionários são agentes da CIA. Bobagem. Se um espião tivesse que viver na selva com sua família por anos, junto a grupos indígenas, a CIA não recrutaria ninguém. Outros dizem que é para aprender dos índios onde há poços de petróleo e minérios. Também bobagem. Eles lá estão para preparar a chegada do Novo Cristo. Essa é a verdade, meio inverossímil, mas verdadeiríssima. E, do meu ponto de vista, lá estão para descrever línguas que de outro modo desapareceriam sem deixar nenhum registro”.
Para a professora Bruna Franchetto, “é inegável a presença determinante da SIL no Brasil.” Segundo ela, a associação monopolizou durante décadas a pesquisa e a formação lingüística. “A SIL produziu e acumulou conhecimentos científicos sobre as línguas, sem dúvida. Ao mesmo tempo, tentou evangelizar e interferiu desastrosamente nas culturas nativas. Esse gênero de missão se caracteriza por um curioso binômio: preservar a diversidade lingüística e aniquilar a diversidade cultural”.
Na aldeia nadëb, os Senn fazem o possível para preservar a vitalidade lingüística da comunidade. A distância entre a aldeia e qualquer cidade onde se fala português contribui muito para o sucesso da empreitada. Entre os 150 nadëb do Roçado, não mais de cinco falam o idioma. Para os missionários-lingüistas da SIL, a mensagem de Deus só pode ser plenamente compreendida na língua materna do crente. É vital que haja um texto escrito, de forma que a comunidade tenha acesso aos evangelhos independentemente da presença de missionários.
Nas palavras de Darcy Ribeiro: “A idéia básica de Tio Cam [Cameron Townsend, o fundador da SIL] é que Deus, meio sem juízo, da primeira vez pôs seu ovo num povinho de merda, que eram os judeus, quando podia tê-lo colocado entre os romanos, como imperador. O próximo Cristo, onde é que ele vai pôr? Não é impossível que seja entre os xavante ou os kayapó. Vai ser o diabo para que aquele novo Cristo retome a herança do anterior a fim de cumprir sua missão. Daí que a tarefa da SIL seja traduzir a santa bíblia em todas as línguas do mundo, para que, onde quer que caia o Messias, ele possa se informar de todas as coisas sagradas”.
A maioria das línguas indígenas é ágrafa, não existe na forma escrita. Para a SIL, o primeiro passo é, pois, a criação de um alfabeto, que registra graficamente os sons da fala. O alfabeto nadëb foi criado por Helen Weir, lingüista irlandesa que, em 1984, defendeu, na Unicamp, uma tese intitulada A Negação e Outros Tópicos da Gramática Nadëb. A tese de Weir foi uma das últimas de lingüistas da SIL apresentadas em universidades brasileiras.
Rodolfo e Beatrice Senn traduziram para o nadëb mais da metade do Novo Testamento. Para ajudá-los na tarefa, usam um software da SIL chamado Translator’s Workplace, com 47 Bíblias em várias línguas européias, material exegético, comentários de teólogos, glossários, dicionários e os manuais de um curso de aprendizagem de línguas nativas para missionários. “Tenho uma biblioteca inteira no meu laptop”, diz Rodolfo.
O casal criou uma escola nadëb para a qual treinou professores indígenas. Quase todas as crianças e jovens da tribo lêem e escrevem na língua. Muitos adultos também se alfabetizaram. Em 2005, a prefeitura de Santa Isabel estendeu o ensino municipal até a aldeia. Mandou para lá três professores que moram durante oito meses no Roçado, voltando para a cidade somente uma vez, nas férias de julho. Ensinam matemática, geografia e português e acham que seu trabalho foi facilitado pelo fato de as crianças já serem alfabetizadas na própria língua.
Os Senn lamentam a chegada da escola municipal. Acreditam que será um incentivo para que aos poucos a língua nativa seja abandonada. Na escola nadëb, Beatrice passou a ensinar o que chama de conscientização lingüística. “Quero mostrar a eles que o nadëb é uma língua tão rica e bonita quanto o português, que a língua deles também tem gramática, fonologia, um léxico variado e poderoso. Quando os nadëb começaram a estudar português, acharam que só nessa língua havia tempos verbais, substantivos e pronomes. E isso os fez pensar que o português era uma língua melhor do que a deles.”
A sentença de morte de uma língua minoritária é decretada quando a língua majoritária se torna sinal de prestígio na comunidade. Foi o que aconteceu com o mamaindé, língua falada por 170 índios na fronteira entre Mato Grosso e Rondônia. Dave Eberhard é um fonólogo da SIL que trabalha com a tribo. Ele conta que os mamaindé ganharam um caminhão da prefeitura de Vilhena, a cidade mais próxima da aldeia. Passaram a ir freqüentemente à cidade, que fica a duas horas pela estrada recém-construída. Com o dinheiro da aposentadoria, concedida pelo INSS a todos os índios idosos, compraram celulares. Como não costumam ter crédito nem têm para quem ligar, usam o celular principalmente para telefonar a cobrar para Eberhard em Cuiabá, na chácara da SIL onde ele mora. Na aldeia há um gerador e uma única tomada – os índios fazem fila para carregar seus telefones. As meninas já vestem minissaia para ir à cidade. Ninguém mais quer falar mamaindé, muito menos aprender a ler. O português é a língua de prestígio na aldeia. Por falta de leitores, Eberhard foi obrigado a abandonar a tradução da Bíblia, trabalho a que vinha se dedicando por dezessete anos.
O Brasil é um dos únicos países onde a SIL ainda usa a abordagem tradicional de um missionário que se muda para a aldeia, passa quatro ou cinco anos aprendendo a língua e mais vinte fazendo a tradução. Os Senn acreditam que precisarão de mais doze anos para completar a tradução do Novo Testamento. Serão, portanto, 22 anos no total. Quando a Bíblia em nadëb estiver pronta, o casal pretende se aposentar e morar na Argentina.
Na África, o trabalho de tradução da Bíblia é muito mais rápido, pois há falantes nativos com diploma de curso superior e mesmo com pós-graduação. A SIL entra com o treinamento em lingüística e os próprios falantes se encarregam das traduções. Além disso, há um contingente muito maior de falantes por língua. A língua indígena brasileira com maior número de falantes, o tikuna, com quase 20 mil, seria considerada uma língua em extinção na África. Ali, há línguas minoritárias com um milhão de falantes. A tradução do Novo Testamento para uma língua africana fica pronta em três anos. No Brasil, o prazo habitual é de 25 anos.
Rose Dobson, hoje consultora da SIL, levou 32 anos até completar sua tradução da Bíblia para o kayabi, língua que na época tinha somente 66 falantes. Dobson chegou ao Brasil em 1968. Nos primeiros tempos depois de se instalar na aldeia, os índios lhe ensinaram tudo errado. Viam que ela anotava cada palavra que diziam e desconfiaram que sua intenção era roubar a língua. Decidiram então confundi-la: se ela perguntava como se dizia caçar em kayabi, ensinavam-lhe a palavra para subir; se queria saber como se dizia comer tapioca, ensinavam-lhe as palavras para as cores. A missionária só descobriu o artifício depois de dois anos, quando viu que a língua que estava aprendendo não fazia sentido. Até então, nenhum lingüista – acadêmico ou missionário – havia estudado kayabi.
Os critérios da SIL para a escolha de uma língua são a ausência de tradução da Bíblia, o grau de bilingüismo e o número de falantes, nessa ordem. “Se houver uma comunidade de cinqüenta pessoas ainda monolíngües, e se pudermos ajudá-las, vale mais a pena para a SIL do que uma comunidade de duas mil pessoas que já falem português. Bíblias em português existem muitas”, explica Eberhard.
A tribo kayabi tem hoje mais de oitocentos membros. Está crescendo, como a maioria das tribos indígenas no Brasil. Paradoxalmente, à medida que as tribos crescem, desaparecem as línguas. As populações indígenas hoje costumam ter acesso a médicos, agentes de saúde, professores, vacinação, aposentadoria, auxílio-gestante. Esses benefícios, ao mesmo tempo em que prolongam a expectativa de vida, intensificam o contato com os brancos das cidades – e acabam aumentando os riscos de desaparecimento da cultura e da língua nativas.
O mamaindé, língua estudada pelo fonólogo Eberhard, faz parte da família lingüística nambikuara, cujas línguas são tonais, como o mandarim. Nessas línguas, o tom em que uma palavra é falada tem função contrastiva. Em mandarim, se pronunciada em tom neutro a palavra ma significa mãe; em tom descendente-ascendente, significa cavalo. Em mamaindé, a palavra loani pode significar rato ou folha de buriti, dependendo do tom.
Só há no Brasil duas línguas tonais que não pertencem à família nambikuara: o pirahã e o munduruku. O pirahã, falado por uma tribo da Amazônia composta de 300 membros, também foi estudado por um lingüista da SIL, Daniel Everett, hoje desligado da sociedade e professor da Universidade de Manchester. Segundo Everett, no pirahã não existem palavras para cores e números e não há nenhum sistema de contagem. Tampouco há palavras para quantidades, como cada, todo, muito e pouco. O sistema pronominal – aparentemente emprestado de outra língua – é o mais simples já registrado entre as línguas conhecidas. Existem apenas oito consoantes e três vogais. Não há orações subordinadas. Em pirahã, o falante só pode se referir a pessoas ou objetos presentes fisicamente diante dele ou a eventos que tenha presenciado. O povo parece não ter mitos de criação ou lendas e, apesar dos mais de duzentos anos de contato com comerciantes brasileiros, nenhum pirahã jamais aprendeu português. Os pirahã se comunicam igualmente por assobios e melodias.
Everett argumenta que a cultura da tribo restringe a sintaxe da língua e a capacidade cognitiva do povo. Segundo afirma, os pirahã “vivem no aqui e agora e toda a comunicação é feita através da experiência imediata dos falantes”; assim sendo, eles não precisariam de determinados recursos lingüísticos disponíveis nas outras línguas. Essa tese provocou um debate acirrado – ainda não resolvido – entre lingüistas do mundo todo. A razão é um truísmo da teoria lingüística segundo o qual certas propriedades estão presentes em todas as línguas, sem exceção, sendo elas que, em parte, diferenciam a linguagem humana de outros sistemas de comunicação, como a linguagem das baleias ou os sinais de trânsito. As línguas variam enormemente entre si, em vocabulário, sintaxe, fonologia etc., mas em todas elas é possível, por exemplo, remeter a contextos diferentes, no tempo e no espaço, da situação imediata do falante, ou referir-se a todos os elementos de um conjunto, como no pronome todos.
Essas e outras propriedades seriam inerentes à linguagem humana; logo, estariam presentes em todas as línguas naturais, não importa o grau de complexidade da cultura, não importa se os falantes conhecem ou não ciência, se têm ou se não têm matemática, escrita ou arte. O próprio Everett, cuja competência como lingüista não é contestada nem por seus oponentes, diz que hesitou anos antes de publicar seus achados. Se confirmadas, as conclusões a que chegou exigiriam uma revisão radical de conceitos fundamentais da lingüística moderna. Como lingüistas da SIL, Everett e sua mulher viveram quase vinte anos entre os pirahã. Ninguém os conhece melhor, ninguém conviveu tanto tempo com a tribo, o que torna as declarações ainda mais polêmicas. Não há nenhum lingüista com conhecimento suficiente para refutar, confirmar ou reproduzir os dados apresentados por Everett.
Os candidatos a lingüista-missionário da SIL passam por um treinamento básico de três semestres, um deles em nível de graduação e dois em nível de pós-graduação. O curso cobre as principais áreas da lingüística: fonologia, sintaxe, semântica e pragmática. Os alunos estudam também desenvolvimento de escrita para línguas orais, noções de antropologia, relações interculturais e fenomenologia das religiões. A partir daí, os que demonstram interesse maior pela lingüística partem para estudos acadêmicos na área. A bibliografia da SIL lista 1.600 monografias e 533 teses publicadas, além de mais de 8.000 artigos. Inclui também 8.200 livros e manuais de línguas. Há 450 traduções completas do Novo Testamento.
À parte as aulas teóricas, há um treinamento de sobrevivência na selva que dura três meses, incluído aí um estágio de trinta dias em alguma parte remota do continente de trabalho. Quando o destino final é uma região de conflito, como as florestas da Colômbia ou certos países africanos, há treinos que ensinam a lidar com guerrilheiros e milícias rebeldes. Aprende-se a fugir, caso haja captura. Há também preocupação com questões mais amenas. A SIL publica o livro Jungle Camp Cookbook, com orientações sobre como cozinhar sem leite, farinha de trigo, ovos, apetrechos de medição ou panelas, substituindo-os por ingredientes e utensílios locais.
A sociedade é proprietária de duas chácaras no Brasil, uma em Cuiabá, outra em Porto Velho. Alguns missionários moram nas chácaras, outros alternam entre as chácaras e as aldeias, outros moram somente nas aldeias. Cada missionário faz um arranjo próprio e é responsável pelo seu financiamento. A SIL recolhe dízimo para custear a administração dos trabalhos. Os fundos vêm da doação de amigos, família e igrejas. A associação elabora uma estimativa do montante que o missionário precisa angariar, levando em conta a região de destino e o número de filhos. As doações são para a família, não para cada membro do casal, e dependem da capacidade de arrecadação de cada missionário. Assim, não há relação hierárquica entre a função exercida na entidade – lingüista, secretário, diretor, piloto de selva, educador, tradutor, contador – e a soma em dinheiro de que o associado pode dispor. A cada quatro anos em campo, a família passa um ano no país de origem, buscando doações para os quatro anos seguintes.
Desde o início do trabalho com os nadëb, Rodolfo e Beatrice Senn recebem contribuições do mesmo grupo de 25 pessoas e igrejas. Isso lhes permite permanecer no Brasil por mais tempo, sem precisar sair de quatro em quatro anos para buscar doações. A família costuma tirar férias uma vez por ano para visitar a Argentina. Viagens à Suíça, só a cada seis anos, por seis semanas. Os filhos não gostam muito, não têm amigos lá. Estranham o clima e o estilo de vida dos parentes maternos em Berna e preferem a casa do avô paterno, numa zona rural remota no norte da Argentina. Beatrice diz que a única coisa de que sente falta são as montanhas de seu país natal; tem uma fotografia do imponente Matterhorn no quarto de dormir.
A sede européia da entidade mantenedora da SIL – a Wycliffe Bible Translators, também fundada por Cameron Townsend – fica a uma hora de trem de Londres, nos arredores da cidadezinha de High Wycombe, em meio à paisagem de colinas verdes, bosques e campos cultivados. Foi construída para abrigar crianças londrinas que fugiam dos bombardeios alemães durante a II Guerra Mundial. Hoje é usada para treinamento de lingüistas missionários. Na propriedade há alojamentos, salas de aula, biblioteca, dois refeitórios, salas de computador e projeção, além de piscina e quadra de esportes.
Robert Dooley, lingüista da SIL e autor do verbete sobre o guarani da Enciclopédia Internacional de Lingüística, tem 62 anos. É alto e magro, com bigode escovinha branco, cabelos grisalhos lisos, sobrancelhas cheias e também grisalhas. Fala manso, num português com forte sotaque americano. Estava em High Wycombe para dar aulas de análise do discurso a um grupo de tradutores da Bíblia, missionários europeus que trabalham com línguas minoritárias do Senegal.
Em 1973, com 29 anos, Ph.D. em matemática e recém-casado, Dooley queria ser missionário. “Na época, a única coisa que eu sabia fazer era matemática, nunca havia trabalhado com mais nada”, lembra. “Tentei achar uma missão que tivesse lugar para mim, mas não encontrei. Eu era bom matemático e gostava muito do meu trabalho. Queria usar minhas habilidades a serviço do Senhor.” Um dia, Dooley foi a uma palestra sobre tradução da Bíblia para línguas minoritárias. Recebeu ali um folheto da Wycliffe intitulado Matemáticos cristãos, onde estão vocês? Falava da relação entre lingüística e matemática. Explicava que matemáticos poderiam ser muito úteis em determinadas áreas da lingüística, ajudando a analisar as propriedades formais de línguas que ainda não tinham a Bíblia. Fora escrito por Ivan Lowe, físico de Cambridge e um dos lingüistas que trabalhavam com Mattoso Câmara e Darcy Ribeiro no Museu Nacional.
Dooley considerou o folheto um chamado de Deus. “Comecei a me perguntar o que valia mais: meus planos para a minha vida ou levar as escrituras a quem ainda não as tinha? Pesando uma vida contra muitas, não demorei muito a me decidir.” Já sua mulher, Kathie, não estava tão segura. Precisou ser convencida. Não se imaginava passando a vida na floresta, longe de tudo. Ambos haviam sido criados na cidade, sem muito contato com a natureza. Ele é de Oklahoma, ela é do Texas. Nenhum dos dois conhecia a América Latina.
Kathie Dooley diz que Deus a fez lembrar-se de certas experiências que tivera na infância, com as galinhas da avó e em passeios no bosque quando era bandeirante. Se eram memórias agradáveis, pensou, talvez fosse um sinal de que seria possível adaptar-se à vida no interior do Brasil. Mas ela continuava preocupada com a idéia de criar os filhos – o primeiro era ainda bebê – no meio da floresta, num país estranho. Outro problema era sua hipoglicemia, condição que dificulta a vida longe de atendimento médico. “Esses aspectos práticos nem tinham me passado pela cabeça”, comenta o marido. “Eu só estava pensando na lingüística.”
Apesar das reservas, os Dooley resolveram fazer o curso da SIL e foram aceitos. A sociedade só decide se aceita um candidato a missionário depois da conclusão do curso. É preciso mostrar aptidão para línguas, lingüística e tradução ou alfabetização, além de resistência física, testada no treinamento de selva. Os Dooley fizeram parte do último grupo a treinar em Chiapas, no México. Logo depois a guerrilha inviabilizou o trabalho na região.
Ao longo da formação, que se estende por quase dois anos, Kathie se curou da hipoglicemia. O casal considerou que era mais um sinal de Deus e veio para o Brasil, onde recebeu a missão a que ambos, dali em diante, dedicariam toda a carreira: traduzir a Bíblia para o guarani. Instalados no interior do Paraná, viveram os primeiros dez anos sem luz e sem água corrente. Ao contrário dos Senn, não tinham um rio por perto para banhos ou como fonte de água. Usavam água de um poço. Um dia, descobriram que ele estava sendo usado por outras pessoas, gente que tomava banho ali. Os dois pegaram hepatite. Ela estava grávida da segunda filha, Liz, que nasceria em Brasília. O trabalho de tradução levou 29 anos. O resultado é um dos raros exemplos em que a Bíblia inteira – novo e antigo testamentos – ganhou versão em língua nativa.
Traduzir qualquer obra ocidental para línguas de cultura tão radicalmente diferente é tarefa árdua. Como fazer que referências bíblicas a objetos, lugares e costumes ganhem sentido para quem nunca viu ou ouviu falar em hebreus, procônsules e camelos que passam, ou não, pelo buraco de uma agulha? A idéia de dízimo também é de difícil tradução, antes de tudo porque as línguas indígenas raramente têm palavras para todos os números. O mais comum é haver apenas palavras para um, dois e três – três sendo também usado para significar muitos. O nadëb tem palavras que servem para números até vinte, desde que complementadas com gestos para indicar os dedos das mãos e dos pés, o que não é viável num texto escrito.
Uma solução possível é adaptar as metáforas da Bíblia à cultura local – por exemplo, trocando camelo por anta. Afinal, antas também não passam pelo buraco de uma agulha. Ocorre que, para os missionários, a Bíblia não é apenas um texto sagrado. É também historicamente correto. Se lá está dito que Jesus entrou em determinada cidade pela porta, é exatamente o que a tradução dirá, pois não se pode reinterpretar um fato histórico. Mas como explicar em guarani ou nadëb o conceito de cidade murada?
É para contornar esses problemas que os lingüistas da SIL fazem uso do que chamam de analogia redentora. Isso significa empregar um conceito ou crença da cultura nativa para explicar – e às vezes até traduzir – um conceito bíblico. Os mamaindé, por exemplo, acreditam que depois da morte o espírito segue por uma estrada muito larga, no fim da qual está o espírito do jacaré, que engole o do índio. Mas há uma outra estrada, estreita, onde existe uma porta escondida, difícil de encontrar. Essa estrada leva à Casa dos Bons Espíritos. Ali o mamaindé viverá feliz. Para encontrar a porta oculta, é preciso contar com a ajuda dos espíritos dos antepassados. Quando morre um mamaindé, o pajé canta para alertá-los de que alguém está chegando. Os antepassados, entretanto, nem sempre querem ajudar. Às vezes aparecem, às vezes não. Se não gostavam do morto ou de sua família, não ajudarão. Se eram preguiçosos em vida, serão também na morte e não comparecerão ao encontro. Se estiverem dormindo, não ouvirão o canto do pajé e também não vão aparecer. Eberhard, o fonólogo especialista em mamaindé, usou essa crença para introduzir a idéia de Jesus como um espírito bom, que nunca dorme nem tem preguiça. Jesus garantiria a vida eterna – possibilidade não prevista na mitologia mamaindé. “Não pretendo convencer os índios a se converter ao cristianismo. Quero oferecer a eles a opção de Jesus e deixar que eles decidam.”
Os mamaindé ainda não se decidiram. Segundo Eberhard, a tribo não pode ser considerada cristã, apesar dos quase vinte anos de trabalho da SIL. “Os mamaindé incorporaram Jesus à sua religião como um espírito bom, mas ainda não têm uma hierarquia em que haveria um único Deus ou um espírito criador de tudo, inclusive dos outros espíritos”, diz ele.
Na mesma situação parecem estar os guarani, que, para Robert Dooley, “têm uma cultura muito independente, tolerante, com respeito pelas opiniões divergentes. Poucos deles são cristãos, no sentido de pertencer a uma igreja estabelecida. Há muitos que foram batizados na igreja católica, mas não praticam a religião”.
Ernesto Morgado Belo, antropólogo brasileiro vinculado ao Laboratório de Etnologia e Sociologia Comparativa da Universidade Paris X, explica que os índios brasileiros em geral não desenvolveram o que se poderia chamar de religião estruturada: “Eles não têm religião. Têm cultura”. Essa cultura é formada de crenças, lendas, mitos e hábitos a que muitas vezes se incorporam as crenças, lendas, mitos e hábitos de outros grupos indígenas, assim como dos brancos. É um processo que vem ocorrendo desde as missões católicas do século XVI. “Não é como se os evangélicos entrassem num vilarejo muçulmano, onde haveria um choque entre sistemas fechados. Os índios brasileiros incorporam as novidades e as interpretam de acordo com sua própria cultura. Os missionários percebem que o grande obstáculo à evangelização não é propriamente a religião indígena, mas a cultura. Antes da conversão religiosa, há toda uma conversão civilizatória.” Morgado Belo, que viveu entre os nadëb do Roçado, afirma que, “nas cartilhas preparadas pela SIL para alfabetização dos nadëb, constata-se claramente essa tentativa. Há uma ênfase nos valores da família, do asseio, da monogamia, da sobriedade. A mulher indígena aparece varrendo a casa, coisa que os maku nunca fizeram. Fala-se muito do valor do trabalho, da idéia de que nada vem de graça.”
Os nadëb, à diferença dos mamaindé e dos guarani, são cristãos. Pertencem a uma igreja estabelecida por eles próprios, têm cultos na língua nativa várias vezes por semana, com ou sem a presença dos missionários. Oram e lêem a Bíblia em nadëb. Cantam hinos de louvor a Jesus, com letras que compuseram para as melodias tradicionais. Para Joaquim, o cacique, ser crente significa “não beber, não matar o inimigo, não casar com várias mulheres, viver em paz”.
A aldeia nadëb é próspera, organizada, limpa. A tribo goza de excelente reputação em Santa Isabel. Mara, mulher do Zé da voadeira, diz: “O cacique Joaquim é muito benquisto aqui. Quando os nadëb vêm à cidade, não pedem esmola, não tomam cachaça, não brigam. Trazem coisas para vender e se sustentam sozinhos. São muito diferentes dos outros índios que moram na região.” Quando os Senn chegaram ao Roçado, em 1996, já havia trinta anos de presença esporádica da SIL. Ainda assim, só Joaquim e dona Francisca, sua parente, diziam-se cristãos. Ambos haviam passado parte da infância em Santa Isabel, como filhos de criação de uma família de brancos.
Em 2000, dona Francisca mandou a filha estudar em Santa Isabel. Aos 13 anos, Socorro engravidou de um rapaz da cidade. Quando foi ao médico, descobriu que tinha câncer em estado avançado. Rodolfo e Beatrice a levaram para o hospital em Porto Velho. A menina sofreu uma operação de urgência e perdeu o bebê. Teve um dos ovários retirado. Sua mãe, que a acompanhara a Porto Velho, foi avisada pelos médicos de que havia pouco a fazer. Apesar da cirurgia e do tratamento quimioterápico, ela provavelmente morreria.
Um dia, ainda na cama do hospital, Socorro sentiu uma presença a seu lado. Estava de olhos fechados. Alguém pegou na sua mão e lhe disse em nadëb: “Não se preocupe, Socorro, você vai ficar boa”. A menina pensou: “E não é que é verdade mesmo? Jesus existe!”. Chamou a mãe, contou o ocorrido e a consolou. Depois de meses de tratamento, Socorro se curou. Os médicos a advertiram, no entanto, de que nunca poderia ter filhos. O relato da visão milagrosa se espalhou pela aldeia; a cura foi atribuída a Jesus, apesar da cirurgia e dos meses de quimioterapia no hospital em Porto Velho. Aos poucos, os outros índios nadëb foram se convertendo. O impulso final para a conversão foi a gravidez de Socorro. Contrariando o que ouvira dos médicos, há dois anos ela teve um bebê, Felipe.
Os nadëb decidiram, então, construir uma igreja nos moldes da casa de rituais de suas tradições, conforme alguns índios mais velhos ainda se lembravam. É uma oca redonda, com teto de palha. Onde habitualmente haveria uma cruz, há uma televisão com DVD. Há bancos toscos, feitos na aldeia. O culto acontece três ou quatro vezes por semana, um deles sempre aos domingos, às 7 e meia da manhã. Os Senn participam do culto apenas como assistentes. O cacique Joaquim e seu ajudante, Eduardo, irmão de Socorro, são os oficiantes. Os índios cantam, ouvem os sermões, entram e saem constantemente da igreja durante o culto, que dura pouco mais de uma hora. Muitos acompanham lendo a tradução dos evangelhos, encadernada em espiral com capa de plástico.
A televisão e o DVD são para passar os filmes da SIL. São três: a história de Jesus, a vida do profeta Jeremias e um filme de natureza, sobre baleias e golfinhos. O “filme de Jesus”, como é chamado pelos missionários, é traduzido e dublado para todas as línguas nativas com que a SIL trabalha. Uma equipe volante de dublagem passa duas semanas em cada aldeia e grava os membros da tribo lendo ou repetindo as falas na língua nativa – no caso, o resultado é que Jesus ressuscita Lázaro em nadëb. A tribo têm um gerador, que é ligado quando eles querem assistir aos filmes ou quando há transmissão de jogos de futebol, vistos em outra televisão, em outra parte da aldeia. Depois do culto de domingo, todos se reúnem no campo para jogar bola. Há pouco tempo, os nadëb ganharam um torneio indígena organizado pelo cacique Joaquim.
Das quase sete mil línguas faladas hoje no mundo, apenas 10% resistirão até o século XXII. No Brasil, desde a conquista, perderam-se 85% das línguas. Segundo Bruna Franchetto, “não há dúvida quanto às conseqüências da agonia e do desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de formas artísticas, de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e cosmológicas”. Preservar a língua é uma maneira de garantir a sobrevivência da cultura, pelo menos em certos aspectos. É uma corrida contra o tempo na qual a SIL desempenha um papel importante, apesar das críticas que lhe são feitas por estudiosos brasileiros, com maior ou menor justiça.
Como parte de seu empenho em preservar línguas, a SIL criou o maior catálogo lingüístico do mundo, o Ethnologue, que arrola “todas as 6.912 línguas vivas”. O material está na Internet e é aberto ao público. Pode ser copiado de graça para fins de pesquisa e ensino, sem necessidade de autorização; apenas o uso comercial é controlado. A cada quatro anos, é atualizado e impresso. O segundo maior catálogo de línguas do mundo foi elaborado pela Unesco – é o Livro Vermelho das Línguas Ameaçadas. A abrangência dos dois não se compara; nos arquivos da Unesco, não há nem sequer uma seção para línguas indígenas do Brasil ou da América do Norte.
Reconhecendo o trabalho da SIL, a ISO, Organização Internacional de Normatização, decidiu em 2005 adotar os códigos do Ethnologue como referência para línguas vivas. A norma resultante é a ISO 639-3, que atribui à instituição a responsabilidade de administrar o padrão ISO de referência lingüística, supervisionando “a inclusão de novos códigos de línguas [leia-se: novas descobertas] e a combinação ou remoção dos códigos existentes”. Em outras palavras, a SIL decide o que é língua, o que é dialeto, qual língua está extinta, qual pode ainda ser considerada língua viva. Cada língua, incluindo o nadëb, o mamaindé, o pirahã, o kayabi e o guarani, receberá um código de três letras, para referência internacional e acesso a dados de descrição e análise lingüística. Assim, quando chegar o século XXII, os falantes das últimas 691 línguas poderão ao menos estudar, e quem sabe até aprender, as outras 6.221 que já terão desaparecido. Será possível saber que, em nadëb, P’ooj ub, sahõnh hå ta du dahäng noo gó m’, sahõnh badäk hahþþh P’op Hagä Doo pahunh quer dizer “No princípio Deus criou os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Genesis 1:1).

Ministérios de juventude:

Conquistas e percalços de um movimento

Alderi Souza de Matos

A história dos ministérios especiais voltados para a juventude é uma boa ilustração das grandes transformações experimentadas pelo protestantismo nos últimos 150 anos, em áreas como a espiritualidade, a teologia e o conceito de missão da igreja.

Associação cristã de moços

A primeira dessas organizações foi a Associação Cristã de Moços (Young Men’s Christian Association – YMCA), fundada em Londres em 1844 pelo comerciante congregacional George Williams (1821-1905) e vários colegas evangélicos. Os objetivos iniciais eram ministrar aos jovens operários urbanos e promover evangelismo, estudos bíblicos e oração. Rapidamente a ACM tornou-se um movimento internacional, tendo chegado aos Estados Unidos e ao Canadá em 1851. Pouco depois, em 1855, foi realizada em Paris a sua primeira conferência mundial, quando foi criada a Aliança Mundial de Associações Cristãs de Moços e aprovada uma importante declaração de princípios, a Base de Paris. Naquela ocasião já existiam quase 400 associações em sete países, com um total de mais de 30 mil membros.

Williams foi influenciado pela obra Lectures on revivals(Preleções sobre avivamentos, 1835), do americano Charles G. Finney, associando o evangelismo ao trabalho social. A ACM logo se tornou conhecida como a missão das igrejas evangelísticas junto aos jovens. Seu período de maior vitalidade foi de 1870 a1920, graças a líderes hábeis como o próprio George Williams, Anthony Ashley Cooper (conde de Shaftesbury), o evangelista Dwight L. Moody e John R. Mott, que foi secretário geral de 1915 a 1928. Aentidade desse período dava ênfase ao desenvolvimento religioso, educacional, social e físico, visando promover elevados padrões de caráter e de cidadania cristã.

A ACM veio para o Brasil por intermédio do presbiteriano norte-americano Myron August Clark (1866-1920), que chegou a São Paulo em 1891. As primeiras associações foram as do Rio de Janeiro (1893) e de São Paulo (1895). Alguns anos depois foi criada a aliança sul-americana, com sede no Uruguai. Nas primeiras décadas do século 20, aentidade sofreu um rápido processo de secularização. Escrevendo em 1931, o Rev. Erasmo Braga, que havia sido seu grande entusiasta, disse que a ACM e a ACF (Associação Cristã Feminina) já não deviam ser incluídas entre as forças evangélicas que atuavam no Brasil. O mesmo ocorreu no âmbito internacional. A Aliança Mundial, com sede em Genebra, envolveu-se com o movimento ecumênico e passou a concentrar-se em atividades como assistência a refugiados, direitos humanos e luta pela paz. Na esfera local, o objetivo passou a ser a ênfase numa perspectiva saudável da vida por meio do cultivo do corpo, da mente e do espírito.

Esforço Cristão

Outra organização de grande impacto nos círculos protestantes, porém de duração mais efêmera, foi a Sociedade do Esforço Cristão (Christian Endeavor), fundada em 1881 pelo pastor congregacional americano Francis E. Clark. Em contraste com a ACM, o Esforço Cristão tinha como um de seus principais objetivos o maior envolvimento dos jovens na vida das igrejas, como ficou claro em seu lema: “Por Cristo e pela igreja”. Outras ênfases eram o evangelismo, o serviço cristão e a confraternização da juventude evangélicas por meio de numerosas convenções.

O movimento teve um crescimento inicial impressionante e milhares de sociedades foram criadas nas mais diferentes denominações pelo mundo afora. A primeira superintendente para o Brasil foi a missionária presbiteriana Clara E. Hough, que organizou o primeiro Esforço Cristão em Botucatu, em 1891. Asegunda sociedade foi criada pela professora Elmira Kuhl em Curitiba. Em1902 reuniu-se em São Pauloa primeira convenção nacional, sendo eleito presidente o pastor e educador Erasmo Braga. Com o passar dos anos, as diferentes denominações envolvidas optaram por criar as suas próprias sociedades para jovens e o Esforço Cristão entrou em declínio.

Organizações estudantis

Bem mais complexa é a história de um terceiro tipo de movimentos de mocidade protestante, aqueles voltados para os estudantes universitários. Desde o século 17 houve, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, grupos informais de estudantes cristãos que se reuniam para cultivar a vida espiritual. Todavia, o movimento estudantil organizado teve início somente no final do século 19. Nos Estados Unidos, as primeiras Associações Cristãs de Moços em universidades surgiram em 1856, em Michigan e na Virgínia, e em poucos anos vários líderes capazes difundiram o movimento através do país. Luther Wishard, o primeiro secretário americano da ACM, desejou unir o trabalho em todas as universidades, visando a conversão dos estudantes e seu posterior envolvimento com o serviço cristão ativo, especialmente na área de missões mundiais.

Em 1886, no centro de conferências de Dwight Moody em Northfield, Massachusetts, surgiu um movimento que foi organizado formalmente dois anos mais tarde com o nome de Movimento de Estudantes Voluntários para Missões Estrangeiras (SVM), tendo John Mott como presidente e Robert Wilder como secretário itinerante. Inspirados pelo lema “A evangelização do mundo nesta geração”, em poucas décadas 175 mil estudantes assinaram o compromisso do movimento e 21 mil foram para o exterior. Finalmente, em 1895 foi organizada na Suécia a Federação Cristã Mundial de Estudantes (WSCF), reunindo seis movimentos nacionais, entre os quais o SVM americano e o SCM inglês (Movimento Cristão de Estudantes), sendo John Mott eleito o seu secretário-geral.

No início do século 20, uma série de desdobramentos, especialmente no campo da teologia, causou o enfraquecimento e o declínio dos movimentos estudantis. O SVM chegou ao seu auge em 1920, mas vinte anos depois já havia se tornado praticamente inoperante, vindo a desaparecer por completo. A Federação Cristã Mundial de Estudantes foi uma das entidades formadoras do Conselho Mundial de Igrejas (1948). Na Inglaterra, o SCM também sentiu os ventos de mudança nas áreas teológica e missiológica. Quanto ao Brasil, o primeiro líder do movimento de juventude protestante foi Eduardo Pereira de Magalhães, um pastor da Igreja Presbiteriana Independente. Em 1925 foi organizada no Instituto Granbery, em Juiz de Fora, a União de Estudantes para o Trabalho de Cristo, que se transformou no ano seguinte na União Cristã de Estudantes do Brasil (UCEB). Esta se filiou em 1942 à Federação Mundial. Na mesma época foi criada a União Latino-Americana de Juventudes Evangélicas (ULAJE).

Iniciativas evangélicas

À medida que o Movimento Cristão de Estudantes (SCM) adotava uma postura teológica liberal e ecumênica, começaram a surgir na Inglaterra pequenos grupos de estudantes evangélicos, o que finalmente resultou, em 1928, na criação da Fraternidade Inter-Universitária (Inter-Varsity Fellowship – IVF). Poucos anos depois, começaram a realizar-se conferências internacionais de estudantes evangélicos, a primeira delas na Noruega, em 1934. Finalmente, em 1946-1947 foi criada a Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES), constituída de dez movimentos nacionais. Quarenta anos depois, havia entidades ligadas à IFES em 130 países, entre os quais o Brasil, com a sua Aliança Bíblica Universitária (ABU).

Ainda no ano de 1928 foi criada no Canadá a Fraternidade Cristã Inter-Universitária (Inter-Varsity Christian Fellowship – IVCF) e dez anos depois, nos Estados Unidos. Na década de 40 surgiram grupos na maior parte dos campi, com o tríplice propósito de evangelismo, discipulado e missões. Em 1946 aIVCF realizou a sua primeira conferência de missões em Toronto. Em 1948, aconferência foi transferida para a Universidade de Illinois, em Urbana, onde continua a ser realizada trienalmente, com a presença de até 17 mil estudantes. Outras organizações similares surgidas após a Segunda Guerra Mundial foram a Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, Navegadores, Mocidade para Cristo, Campus Life, Estudantes Internacionais etc.

Avaliação

Os ministérios cristãos voltados para os jovens deixaram um legado controvertido. Eles proporcionaram visibilidade e treinamento para muitos líderes notáveis que prestaram grandes contribuições à igreja e à sociedade. Eles canalizaram o idealismo de milhares de jovens para causas nobres como missões e atuação social. Eles aproximaram pessoas de diferentes igrejas, culturas e nacionalidades, promovendo maior solidariedade cristã e humana. Infelizmente, alguns desses movimentos também acolheram tendências que se revelaram prejudiciais para os jovens e para a causa cristã no mundo. Uma dessas tendências foi o secularismo, uma visão da vida na qual os princípios e valores cristãos foram perdendo gradativamente a sua importância. Outro problema que afetou vários desses movimentos foi o fascínio com novas teologias que questionaram a autoridade das Escrituras e da sua mensagem, gerando ceticismo e abrindo as portas para o relativismo. Ainda outros caíram numa espiritualidade alienada das realidades humanas mais amplas, impondo limites à atuação cristã na sociedade. É desejável que os atuais ministérios direcionados à juventude possam unir os aspectos mais positivos desses exemplos históricos – compromisso com a fé cristã bíblica, vinculação com o corpo de Cristo e uma saudável associação entre proclamação redentiva e responsabilidade social.